Marcos de Paulo/Estadão
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Nissan anuncia investimento de R$ 1,3 bilhão para a fábrica de Resende

Dinheiro será gasto na ampliação da produção e em novos produtos; atualmente a unidade produz apenas o compacto Kicks

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2022 | 14h07

A Nissan vai investir até R$ 1,3 bilhão (cerca de US$ 250 milhões) na fábrica de Resende (RJ) entre 2022 e março e 2025. O anúncio foi feito ontem pelo diretor operacional global do grupo, Ashwani Gupta, que participou do evento de lançamento da nova picape Frontier, na Argentina, onde é produzida.

O valor será gasto na produção de um novo veículo, cujo modelo e data de lançamento não foram revelados, e na modernização da fábrica, informa o presidente da Nissan Mercosul e diretor-geral da marca no País, Airton Cousseau. Hoje a planta produz o compacto Kicks.

O novo investimento é similar ao anterior, de R$ 1,1 bilhão, aplicado entre março de 2021 e março deste ano. Na época, a companhia decidiu por um programa de curto prazo e disse que continuaria negociando com a matriz aportes para os anos seguintes, que dependeriam da melhoria da competitividade do País. 

“A matriz confia tanto no trabalho feito no Brasil que enviou seu segundo homem na hieraquia do grupo para anunciar o investimento”, diz Cousseau. Ele ressaltou também que a América Latina - em especial o Brasil e a Argentina - é o mercado que mais deve crescer nos próximos anos.

Segundo turno

Na segunda-feira a fábrica de Resende voltou a operar em dois turnos. Para a volta da nova equipe foram contratados, a partir de outubro, 578 funcionários. Com a medida, a empresa vai ampliar a produção do Kicks em 60%, para 400 unidades ao dia. Hoje a montadora emprega 1,95 mil trabalhadores diretos.  Somando os terceirizados, 2,5 mil pessoas trabalham no complexo de Resende.

O grupo também anunciou hoje que será aberto um segundo turno na unidade da Argentina para ampliar a capacidade de produção da Frontier. Segundo Cousseou, 80% da produção do modelo vem para o Brasil, e a demanda no País supera a oferta. 

Já a fábrica de Resende produziu 48 mil veículos em 2021 e este ano espera aumentar para 86 mil unidades, se a escassez de semicondutores não atrapalhar muito, informa Cousseau. “Além da falta de semicondutores também faltam navios e contêineres”, afirma o executivo.

O executivo afirma que o preço do contêiner subiu de US$ 5 mil em 2021 para US$ 15 mil este ano. “E muitas vezes trazemos peças por avião, que é ainda mais caro, para não parar a produção, pois há constantes atrasos dos navios.” Neste ano, a produção da fábrica já foi paralisada por três semanas em razão da falta de semicondutores.

Além do Kicks e da Frontier, a Nissan comercializa no Brasil os modelos Versa, importado do México, e o elétrico Leaf, que vem da Inglaterra.



Quando o segundo turno foi suspenso, em junho de 2020, foram demitidos 398 funcionários. Hoje a montadora emprega 1,95 mil trabalhadores. Somando os terceirizados, 2,5 mil pessoas trabalham no complexo de Resende.

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