Nomeação de Draghi para presidencia do BCE pode ser adiada

França e outros países querem garantias de que Itália não terá dois assentos no Conselho Diretor do Banco; Itália pede que Bini Smaghi renuncie posto

Renato Martins, da Agência Estado,

22 de junho de 2011 | 14h43

A nomeação do italiano Mario Draghi para ser o próximo presidente do Banco Central Europeu (BCE) poderá não acontecer na reunião do Conselho da União Europeia, marcada para quinta, 23, e sexta-feira, 24, em Viena, porque a França e outros países com representação no Conselho querem garantias de que a Itália não terá dois assentos no Conselho Diretor do BCE, já que um dos membros do quadro executivo do banco é ocupado por Lorenzo Bini Smaghi.

A agenda preliminar da reunião dos chefes de governo dos países da UE marcada para esta semana inclui a "nomeação do presidente do BCE" como um dos dez itens da pauta.

Assim como a maioria dos governos da zona do euro, a França já declarou seu apoio à escolha de Draghi, ex-vice-chairman do Goldman Sachs e atual presidente do Banco Central da Itália, como sucessor de Jean-Claude Trichet no comando do BCE. O mandato de Trichet termina em outubro.

Altos funcionários do governo francês disseram que a nomeação de Draghi poderá ser adiada, a não ser que a questão da Itália seja resolvida rapidamente. Desde a criação do BCE, nenhum país da zona do euro teve dois representantes no Conselho Diretor da instituição.

Bini Smaghi tem assento no Conselho Diretor do BCE, com mandato até 2013 que só pode ser rescindido com a renúncia dele ou com uma decisão do Tribunal Europeu de Justiça, que precisaria ser acionado pelo próprio BCE. Na semana passada, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, disse que havia pedido a Bini Smaghi que "desse um passo atrás, de modo espontâneo e responsável, e renunciasse".

No mês passado, indagado sobre seus planos para o período até 2013, Bini Smaghi respondeu: "Meus planos são aqui".

"Nosso entendimento é que o sr. Bini Smaghi quer saber onde ele trabalharia em seguira, caso renunciasse voluntariamente do BCE", reagiu com pouca sutileza um alto funcionário francês.

Nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, reiterou a expectativa do governo italiano de que Bini Smaghi renuncie voluntariamente ao cargo. Bini Smaghi não estava disponível nesta quarta-feira para dar declarações. As informações são da Dow Jones.

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