Nordeste importa etanol dos EUA para ampliar oferta--traders

Os preços elevados do etanol no mercado brasileiro atraíram alguns carregamentos de etanol anidro norte-americano para o Nordeste, disseram traders e analistas na sexta-feira, acrescentando que as compras poderiam aumentar nos próximos meses para aliviar a apertada oferta local.

INAÊ RIVERAS, REUTERS

25 de fevereiro de 2011 | 16h19

A diferença entre os preços no mercado brasileiro e nos EUA -- que há alguns anos passou o Brasil como maior produtor mundial do combustível-- tornou os negócios viáveis, apesar da existência de diferenças de especificação entre os dois produtos, disseram.

Compras futuras, no entanto, vão depender totalmente da diferença entre os preços nos dois mercados, que tem diminuído.

"Os embarques estão acontecendo desde o ano passado", disse o diretor de uma trading de São Paulo. "E eu espero que os Estados Unidos exportem ainda mais ao Brasil este ano, já que os preços aqui devem estar, em média, maiores que em 2010."

O etanol brasileiro está, atualmente, 50 centavos por galão acima do preço do etanol norte-americano FOB em Tampa, de acordo com uma fonte do mercado norte-americano.

O etanol anidro foi negociado em janeiro em Alagoas, maior Estado produtor de cana do Nordeste brasileiro, em uma média de 1,35 real por litro, a maior média mensal em um ano, de acordo com o Cepea/Esalq.

Os preços do açúcar, que atingiram a máxima em 30 anos em 2010, induziram as usinas a direcionar mais cana para a produção de açúcar, reduzindo a produção de combustível, o que provocou o aumento do preço.

Toda a gasolina vendida nos postos brasileiros contém uma mistura de 25 por cento de etanol anidro. O Brasil também produz e consome etanol hidratado na frota de carros flex.

Devido aos altos preços locais, o Brasil não tem exportado o combustível aos Estados Unidos desde o ano passado e perdeu participação para o etanol norte-americano em terceiros mercados que costumavam ser abastecidos por brasileiros.

Mas o aumento dos preços do etanol norte-americano, nas últimas semanas, reduziu a diferença entre os preços para 20 a 30 reais por metro cúbico, após ter atingido 300 reais em dezembro/janeiro, incluindo frete e custos dos portos, disseram traders brasileiros.

CONTRATO DE RISCO

Essas importações de etanol norte-americano, que começaram no ano passado, são as primeiras desde 1994, de acordo com a consultoria Datagro, que estima um volume total de 80 mil metros cúbicos.

A Datagro acredita que os volumes podem aumentar em 2011, mas acrescentou que a atual diferença entre os preços inviabiliza os negócios por enquanto.

Por conta das diferentes especificações, alguns embarques demoraram a ser descarregados e tiveram de ser reprocessados.

Traders disseram que além dos obstáculos técnicos, a operação é arriscada financeiramente, pois leva mais de 30 dias para que o produto chegue ao Brasil e "hedgear" os preços, que podem ser muito voláteis, é algo difícil.

A demanda por etanol anidro no Brasil deve aumentar na temporada 2011/12 (abril-março) para 8,5 bilhões de litros, frente aos 7,7 bilhões de litros em 2010/11, acompanhando um aumento no consumo de gasolina, de acordo com a Datagro.

O Nordeste deve responder por 2,2 bilhões de litros do consumo total brasileiro, acima dos 1,9 bilhões da última temporada.

Os custos portuários no Nordeste são mais baixos que os da região centro-sul, assim como os custos de frete dos EUA para aquela região, devido à sua proximidade com o hemisfério norte.

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