Nos EUA, faltam armazéns para a supersafra de grãos

São Paulo, 7 - Agricultores da região do Delta do Mississippi estão tendo dificuldade em encontrar armazéns disponíveis para colocar o que parece ser uma safra recorde de milho e de soja nos EUA. É o que relata matéria publicada no início da semana pelo "Northeast Mississippi Daily Journal". Desde o início da colheita, a Ware Milling de Houston, empresa fabricante de rações, recusou pedidos de armazenagem de uma dúzia de produtores, equivalentes a 500 mil bushels de milho. O presidente da empresa, Richard Ware, disse que a falta de espaço ainda vai perdurar por um bom tempo. "Nós estamos com nossa capacidade inteiramente tomada há duas semanas, e apenas conseguimos pegar o que estamos consumindo", disse. "É provavelmente um dos piores anos para a armazenagem de grãos desde que entramos no negócio, em 1952." A combinação de um verão ameno com chuvas precoces criou condições favoráveis para o desenvolvimento do milho e da soja, afirmou Bill Burdine Jr., do serviço de extensão rural do condado de Chicksaw. Burdine Jr. acredita que a produtividade das duas culturas na região baterá o recorde: o milho deve ter uma média de 140 bushels por acre, contra um desempenho em anos normais de 85 bushels por acre; já a soja terá uma média de 32 bushels por acre, 50% acima do normal. Outros agentes rurais da região relatam aumentos similares na produtividade. Tim Needham, agente de extensão de Tippah, afirmou que o milho em seu condado está produzindo de 20 a 30 bushels por acre acima de anos anteriores. Já a soja tem obtido produtividade de 15 a 20 bushels maior, segundo a matéria do "Northeast Mississippi". "Fomos forçados a interromper a colheita do milho porque todos os armazéns estão lotados, e não conseguimos arrumar vagões ou barcaças para retirar o volume colhido", disse Chip Henley, do condado de Monroe. "É o mesmo com a soja. Isso é muito irritante." O restante da grande safra de Henley permanece sem ser colhida nos campos, esperando por transporte ou armazenagem. Até o momento, a paralisação da colheita não criou um grande problema. Entretanto, uma mudança para um clima ruim poderia mudar tudo. "Se chover e continuar úmido por uma ou duas semanas com temperaturas altas, os grãos podem ficar ardidos." Apesar da grande safra deste ano ter provocado uma situação mais complicada para a armazenagem, o problema ocorre em menor escala a cada colheita, segundo a matéria do jornal. "Acredite se quiser, é assim quase todo ano", disse Charlie Stokes, agrônomo do condado de Monroe. "Já aconteceu tantas vezes que você pensaria que já poderiam ter resolvido o assunto, mas não é o que ocorreu." As informações são da Dow Jones.

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