Nova empresa da ALL quer 12% do mercado de contêiner em 5 anos

A Brado Logística, empresa criada pela ALL para lidar com cargas de varejo, planeja ter 12 por cento do mercado brasileiro de transporte de contêineres nos próximos cinco anos, catapultando a participação da ferrovia em um segmento dominado pelo modal rodoviário.

REUTERS

21 de dezembro de 2010 | 12h03

A companhia traça planos de investir 1 bilhão de reais nesses cinco anos, recursos que não contarão com aportes da ALL, afirmou o presidente da maior operadora ferroviária do Brasil, Paulo Basílio, em teleconferência com analistas sobre a criação da Brado.

Segundo ele, a Brado deverá ter montado sua estrutura de capital até meados de 2011. "O que faz sentido para a gente é uma estrutura dívida/equity de 1 para 1", disse o executivo.

A Brado é controlada em 80 por cento pela ALL e 20 por cento pela Standard, que atua no segmento de contêineres frigorificados. A criação da empresa vinha sendo desenvolvida há 10 meses com a missão de elevar a participação da ALL no setor de contêineres, hoje de apenas 2 por cento de um total estimado em mais de 2,6 milhões.

Em maio, o ex-presidente da ALL, Bernardo Hees, havia revelado durante o Reuters Latin America Investment Summit planos da ALL para ingressar no segmento de contêineres.

"A Brado replica no Brasil modelo de negócio bem sucedido em outros países onde a ferrovia tem grande participação no transporte de contêineres. Hoje, no Brasil, a rodovia leva carga para o porto e a base de armazenagem deles é no porto, onde os espaços são muito caros", disse o diretor financeiro da ALL, Rodrigo Campos.

Para compensar os investimentos que serão feitos pela própria Bravo, a ALL vai oferecer taxas de transporte "competitivas com a rodovia, mais um desconto que reflete o investimento que estão fazendo", disse Campos, sem citar valores. Nos planos da Brado, a empresa vai consumir o bilhão de reais em investimentos em locomotivas (250 milhões), vagões (540 milhões), terminais (110 milhões) e obras civis, via permanente e sistemas (100 milhões).

O gasto em vagões será principalmente em unidades "doble stack", capazes de transportar dois contêineres, um sobre o outro. Mas a empresa também terá que contar com vagões "single stack" para conseguir transportar as cargas até o porto, já que parte da malha da ALL passa por dentro de túneis antigos, mais baixos. O percurso médio das cargas é de 600 quilômetros.

"O investimento majoritário é em double stack. A gente vai rodar double stack em 80 por cento das rotas e, para descer os túneis, faremos transbordo para single stack, mas 100 por cento da carga será transportada pela ferrovia", disse Basílio. "Isso para não termos que fazer investimento em túneis, o que seria muito caro e as obras poderiam interromper o fluxo da ALL."

Segundo os executivos, a expectativa é que a Brado apresente uma margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de entre 20 e 40 por cento. Atualmente, o volume de contêineres transportado pela ALL equivale a menos de 1 por cento do Ebitda da operadora ferroviária.

Às 12h00, as ações da ALL exibiam alta de 1,23 por cento, enquanto o Ibovespa tinha valorização de 1,22 por cento.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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