Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

‘Nova Oi’ deverá ser listada até março de 2015

Com aprovação dos novos termos da fusão, companhia vai focar na redução da dívida e consolidação com a compra da TIM

 Mônica Scaramuzzo, Mariana Sallowicz , O Estado de S. Paulo - Atualizado às 21h47

08 de setembro de 2014 | 19h14


A CorpCo, a empresa resultante da fusão entre Oi e Portugal Telecom (PT), deverá ir ao Novo Mercado da BM&FBovespa até o fim do primeiro trimestre de 2015. Com a aprovação nesta segunda-feira, 8, dos novos termos da fusão, pelos quais a operadora portuguesa reduziu sua fatia de 37,3% para 25,6% na “nova Oi”, o processo de união entre as duas operadoras será retomado. 

A “nova Oi” deverá ter ações negociadas em São Paulo, Lisboa e Nova York e terá sua estrutura simplificada com a existência de apenas uma categoria de ações (e não duas como atualmente). 

“Estamos de volta ao jogo. Nosso foco agora está concentrado em reduzir a alavancagem da companhia e participar do movimento de consolidação no mercado brasileiro”, disse ao Estado Fernando Portella, presidente da La Fonte, um dos maiores acionistas da Oi. 

Os esforços serão para que a companhia reduza para menos de 3 vezes a relação entre a dívida bruta e Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). No segundo trimestre, essa relação estava em 3,8 vezes. O endividamento era de R$ 46,2 bilhões.

No fim de agosto, a Oi contratou o banco BTG para buscar alternativas de consolidação no mercado. O banco deverá formalizar proposta para Oi, Claro e Telefônica comprarem a TIM Brasil da Telecom Itália nas próximas semanas. De acordo com o executivo, a “nova Oi” terá condições de ter acesso a financiamento para promover sua expansão. O BTG também será responsável pela venda de ativos das companhias, como cabos submarinos, torres e 25% da PT na Unitel, de Angola. 

Assembleia. O andamento da fusão dependia da aprovação dos acionistas da PT. Esse aval foi obtido durante assembleia realizada, em Lisboa, que durou cerca de cinco horas. Os votos favoráveis somaram 98,25% do capital presente, de acordo com uma fonte que participou da reunião ouvida pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Participaram investidores que reúnem 46% do capital social da companhia. Era preciso o sinal verde de dois terços do capital.

O memorando de entendimentos fechado entre as empresas precisa da aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que terá que autorizar a Oi a manter uma grande quantidade de ações em tesouraria. São 474,3 milhões de ações ordinárias e 948,7 milhões de papéis preferenciais. A PT terá direito a voto limitada, na CorpCo, a 7,5%. “Com a CorpCo, a expectativa é de que os atuais acionistas fiquem com no máximo 5% de participação”, disse uma fonte. 

As alterações da fusão ocorreram após a descoberta do investimento de  897 milhões de euros, feito pela PT na Rioforte, holding do Grupo Espírito Santo (GES). A aplicação em papéis comerciais não foi paga pela Rioforte, o que resultou na revisão da fusão. A Oi garante que não sabia desse investimento. 

Na assembleia, parte dos ex-executivos da PT sofreu sabatina dos acionistas, entre eles, Henrique Granadeiro, que renunciou ao cargo de presidente da PT em agosto, de acordo com o site português Jornal de Negócios.

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