Nova queda de juros deve ser conduzida com ‘parcimônia’, afirma Banco Central

Na ata da última reunião do Copom, BC também ressalta que trabalha com a taxa de inflação em torno da meta em 2012, de 4,5%    

Adriana Fernandes, Fernando Nakagawa e Patricia Lara, da Agência Estado,

26 de abril de 2012 | 08h55

BRASÍLIA -  O Banco Central (BC) avisou, na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira (26), que uma queda adicional da taxa básica de juros (Selic) deve ser conduzida com "parcimônia".

A ata do encontro sacramentou a extensão da queda dos juros básicos da economia e retirou o compromisso em manter o tabelamento da Selic ligeiramente acima do mínimo histórico. No encontro da semana passada, o Comitê reduziu a Selic em 0,75 ponto porcentual, de 9,75% para 9%.

Os cortes virão com parcimônia, potencialmente com recuos de 0,25 ponto porcentual, embora existam divergências quanto à dosagem. Essa é a interpretação de três fontes - um economista, um operador e um executivo do mercado financeiro que já acompanhou de perto as decisões do colegiado em gestões anteriores.

"Parcimônia quer dizer 0,25 ponto porcentual. Moderado é 0,50 ponto percentual", comentou a fonte que já esteve próxima das decisões do Copom em uma gestão anterior à do atual presidente do BC, Alexandre Tombini. Essa fonte vê uma sequência de 0,25 ponto percentual de cortes da Selic, taxa básica que está hoje em 9%. "O contrato janeiro de 2013 deve subir de 5 a 10 pontos. Ou seja, o BC continua randômico", comentou, brevemente, à Agência Estado.

"O BC sacramentou  a extensão da queda dos juros. Mas mantemos nosso cenário de corte de 0,50 ponto porcentual para o encontro de maio", disse à Agência Estado o economista-chefe da Prosper, Eduardo Velho.

"Análise crua indica movimentos de 0,25 ponto porcentual. Entre zero e dois cortes, dependendo dos dados", comentou um operador de uma grande seguradora estrangeira que atua no segmento de DIs na BM&FBovespa.

Ata. Essas leituras são oriundas do parágrafo 35 da ata divulgada nesta quinta-feira. O trecho destaca que "diante do exposto, mesmo considerando que a recuperação da atividade vem ocorrendo mais lentamente do que se antecipava, o Copom entende que, dados os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, qualquer movimento de flexibilização monetária adicional deve ser conduzido com parcimônia". 

O trecho substituiu o parágrafo anterior da ata de março. Naquele documento, esse parágrafo observava que "considerando os valores projetados para a inflação e o balanço de riscos associado, o Copom atribui elevada probabilidade à concretização de um cenário que contempla a taxa Selic se deslocando para patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos, e nesses patamares se estabilizando". A Selic já está em 9% ao ano, ligeiramente acima do piso de 8,75% que vigorou em 2009. 

Inflação.  O BC observa um cenário favorável para a inflação. E enfatizou na ata que, neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória de alta da inflação. O Copom destaca ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária.

 

O Comitê ressalta também que, no cenário central com que trabalha, a taxa de inflação posiciona-se em torno da meta em 2012, de 4,5%.

Desalavancagem. O BC alerta que continuam elevados os riscos associados ao processo de "desalavancagem" dos bancos, das famílias e dos governos nos principais blocos econômicos. 

De acordo com o documento, o Copom avalia que a desaceleração da economia brasileira no segundo semestre do ano passado foi maior do que se antecipava e que eventos recentes indicam postergação de uma solução definitiva para a crise financeira europeia. "Esses e outros elementos, portanto, compõem um ambiente econômico em que prevalece o nível de incerteza muito acima do usual", diz a ata.

 

 

 

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