Nova técnica reduz custo de produção de batata

Pesquisador do IAC aproveita brotos de batata, que normalmente são descartados, para formar novas lavouras

Luiz Gallo, do Estadão,

08 de novembro de 2007 | 20h15

Uma tecnologia desenvolvida no Instituto Agronômico (IAC), em Campinas (SP), que aproveita o que atualmente é considerado um resíduo da bataticultura convencional - o broto -, promete garantir a economia anual de pelo menos R$ 5 milhões na importação de batata-semente. Garante, ainda, um cultivo livre de vírus comuns em batatais, que geralmente vêm 'de brinde' junto com as sementes importadas.  Veja também: Agricultores já vendem brotosPesquisa até ganhou prêmio da UnescoConforme explica o pesquisador José Caram, responsável pelo estudo, que levou 12 anos para ser concluído, a técnica é simples e promete atrair pequenos produtores para a bataticultura, visto que os custos de produção se reduzem em cerca de 40%, ou o equivalente à despesa com a compra das batatas-sementes importadas. O plantio, diz Caram, é feito com o broto da própria batata-semente, que tradicionalmente é descartado na produção convencional.'Limpeza'Ou seja, em plantios convencionais, é comum o bataticultor fazer uma 'limpeza' da batata-semente importada antes de plantá-la, retirando e jogando fora os brotos que tiverem surgido nas sementes.Caram aproveita justamente este broto descartado. Ele é plantado em um pequeno vaso e continua se desenvolvendo para dar origem, então, a pequenas batatas, chamadas de minitubérculos. 'São estas pequenas batatas que funcionarão como sementes e darão início ao cultivo no campo definitivo', diz Caram, acrescentando que agricultores de Limeira, Sumaré e Itapetininga (SP) já utilizam a técnica.'Pulo do gato'Cada broto dá origem, em média, a três minitubérculos e cada um destes, por sua vez, dá origem a uma planta. 'O 'pulo do gato' é justamente este', diz. 'Ninguém imaginava que brotos arrancados da batata-semente poderiam brotar fora dela e originar mais sementes, no caso, os minitubérculos.'Outra grande vantagem da técnica é que, ao contrário do que ocorre com a tradicional batata-semente importada, que costuma trazer vírus tanto no tubérculo quanto em resíduos de terra - 'Entre e 80% e 90% das viroses dos batatais cultivados no Brasil são importadas', diz Caram -, os brotos são livres de vírus e por isso produzem minitubérculos de alta sanidade.'Os vírus não passam do tubérculo para o broto de jeito nenhum', diz Caram. Por isso, ele diz que a técnica permitirá a drástica redução das viroses nos cultivos e toda a despesa que elas exigem para o seu controle, sobretudo a aplicação de agrotóxicos. A batata-semente importada, segundo Caram, poderia tranquilamente ser trocada pelo broto, reduzindo os custos de produção.A produtividade e a qualidade da batata comercial também são preservadas, já que o broto retirado da semente é uma cópia de alta fidelidade genética da variedade. 'Tudo isso com um material que nem preço de mercado tem, porque é considerado lixo da produção', conclui.Informações: IAC, tel. (019) 3241-5188

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