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Nova visão de taxa de retorno aguça disputa no leilão do Madeira

O remanejamento de capital da rendafixa para ativos reais, diante da expectativa de que os juroscontinuem a cair na esteira do grau de investimento que seespera para o Brasil em 2008, derrubou a taxa de retornoexigida em investimentos diretos. Essa nova visão do investidor será fator preponderante nadisputa pela concessão da usina hidrelétrica de Santo Antônio,no rio Madeira (RO), projeto de 9,5 bilhões de reais. Executivo que participa de um dos cinco grupos interessadosrelatou à Reuters que a batalha de lances no leilão de 10 dedezembro tende a derrubar a taxa de retorno do investimento aaté 8 por cento. Tradicionalmente, observou a fonte, que falou sob acondição de não ser identificada, o setor elétrico demanda taxade retorno de 15 por cento. Essa flexibilidade dos investidores terá como resultado apressão sobre o preço máximo de 122 reais o megawatt hora (MWh)estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A avaliação dessa fonte é que o MWh possa ficar abaixo dos100 reais a que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff,chegou a fazer referência e que ele considera "equilibrado". Na corrida pelo preço certo --e a vitória--, o primeirolance do leilão será crucial. Ficará fora do negócio oinvestidor que fizer proposta 5 por cento acima do menor lancepor MWh. "O risco é o franco atirador", alertou a fonte. O temor dos grandes grupos investidores envolvidos noleilão da obra considerada prioridade do setor elétrico noPrograma de Aceleração do Crescimento (PAC) é o papel quedesempenhará a estatal Eletronorte, subsidiária da Eletrobrás . A estratégia da única empresa a ter-se inscrito sozinhapara o leilão foi motivo, ao longo desta semana, de inquietaçãonos concorrentes, segundo relatos feitos à Reuters. Nestasexta-feira, os consórcios devem fazer o depósito de garantiade 95 milhões de reais para participar do leilão. Embora o Ministério de Minas e Energia negue que tenha sidouma política de governo o ingresso isolado da Eletronorte (elachegou a negociar com um dos consórcios), investidores privadosreceiam que a estatal atue pressionando para baixo o preço. Háprecedente, já que Furnas, ao arrematar a usina de Simplício(RJ), aceitou taxa de retorno inferior a 8 por cento. FLUXO DE CAPITAL Para esse leilão, o governo agiu no sentido de garantircondições específicas que vão favorecer o preço mais baixo daenergia, admitiu a fonte do consórcio. A taxa de energiaassegurada da usina de Santo Antônio é elevada (70 por cento emrelação à capacidade), o projeto tem isenção de PIS e Cofins,além de benefício fiscal da área da Sudam e financiamento deaté 75 por cento da obra pelo BNDES. Mas as condições macroeconômicas constituem o pano de fundoda movimentação dos investidores. Cerca de 28 bilhões dedólares devem migrar de fundos de renda fixa para ativos reais,incluindo ações, em quatro anos, na avaliação do estrategistade renda variável para América Latina da Merrill Lynch, PedroMartins. O cenário que provoca esse fluxo de fundos é a queda dacurva de juros. A previsão da Merrill Lynch é que o país recebao grau de investimento no segundo semestre de 2008, o quelevará a redução do risco-país, refletindo-se no juro de longoprazo. Entre as variáveis econômicas usadas no plano de negóciospara o leilão da hidrelétrica, uma aposta mais ousada no graude investimento do país dá margem de ação maior aos consórcios. O leilão das rodovias federais de outubro, que surpreendeupor deságio de até 65 por cento proposto pela principalvencedora, a subsidiária brasileira da espanhola OHL, é tratadocomo um divisor de águas. O leilão estabeleceu taxa de retorno muito abaixo do limitede 8,95 por cento determinado pela Agência Nacional deTransporte Terrestre (ANTT) no edital, o que foi amplamentereconhecido como uma vitória do governo federal. "Isso setornou uma nova referência para o investidor", disse oexecutivo do consórcio que disputa a usina do Madeira. (Edição de Marcelo Teixeira)

RENATA DE FREITAS, REUTERS

30 de novembro de 2007 | 15h46

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