Novartis vai investir US$ 300 milhões em fábrica em Pernambuco

Nova unidade é o maior investimento feito pela empresa no Brasil e deve entrar em operação em 2014, unidade vai gerar 120 empregos diretos

Marina Gazzoni, de O Estado de S. Paulo,

18 de outubro de 2011 | 23h00

A indústria farmacêutica suíça Novartis vai construir sua primeira fábrica de vacinas no Brasil em Pernambuco. O projeto custará US$ 300 milhões e será o maior investimento já feito pela empresa no País.

A unidade deve produzir vacinas contra o meningococo B, o micro-organismo causador da meningite cérebro-espinhal epidêmica. A fábrica de Pernambuco deve começar a ser construída ainda neste ano e começará a operar em 2014, de acordo com a Novartis.  Além de atender o mercado nacional, os produtos também serão exportados. A empresa não informa quais países vão receber as vacinas feitas no Brasil.

A Novartis já tem três fábricas no País - uma da Sandoz, sua divisão de medicamentos genéricos, em Cambé (PR), e outras duas de produção de matéria-prima farmacêutica, em Taboão da Serra (SP) e em Rezende (RJ). Ao todo, o grupo tem 2,5 mil funcionários no Brasil. Com a nova unidade de Pernambuco, a empresa deve gerar mais 120 empregos diretos.

A divisão de vacinas é uma das mais novas da Novartis. A empresa entrou neste mercado apenas em 2006, após aquisição da Chiron. Hoje, é a quinta maior fabricante de vacinas do mundo e possui medicamentos para prevenir cerca de 20 doenças, entre elas, a Influenza A.

Em 2010, a receita líquida do segmento de vacinas e diagnósticos somou US$ 2,9 bilhões, um crescimento de 25% em relação ao resultado do ano anterior. O negócio ainda é pequeno se comparado ao faturamento total do grupo, que chegou a US$ 50,6 bilhões.

No mundo, a maior fabricante de vacinas humanas é a Sanofi Pasteur, do grupo Sanofi-Aventis. No Brasil, a empresa tem parceria com o Instituto Butantan. Procurada pelo Estado, a Novartis não se pronunciou até o fechamento desta edição.

Mercado novo. O Brasil não é um mercado com tradição na produção de vacinas por empresas privadas, de acordo com o vice-presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini. A maior parte dos produtos utilizados no País é importada ou produzida por laboratórios ligados ao governo, como o Instituto Butantan e o Bio-Manguinhos.

"O setor está aquecido e deve crescer no Brasil. O governo tem comprado mais vacinas e feito mais campanhas entre a população", diz Mussolini. A estimativa dele é que entre 85% e 90% das vendas de vacinas no País são feitas para o Ministério da Saúde. Até setembro de 2011, foram aplicadas mais de 61 milhões de doses de vacinas no Brasil, segundo dados do Datasus.

A expectativa do Sindusfarma é de que as grandes farmacêuticas elevem a importação de vacinas, mas que poucas decidam produzir no Brasil. "Não tivemos grandes investimentos neste setor no passado e a indústria se concentrou em outros países. O comum é produzir em um laboratório e exportar para o resto do mundo", afirma Mussolini. Hoje, os grandes polos de produção de vacinas são Itália, Inglaterra, Índia e Estados Unidos.

A indústria farmacêutica brasileira é a oitava maior do mundo, mas possui apenas 3% do mercado global, de acordo com Sindusfarma. O setor faturou R$ 35 bilhões em 2010 e cresceu 14%. Neste ano, a expectativa do sindicato é de uma expansão menor, mas ainda de dois dígitos.

O aumento da renda da população brasileira é um dos fatores que impulsiona o crescimento do mercado de fármacos. Com mais recursos, a população tem mais acesso a planos de saúde e à tratamentos médicos.

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