Divulgação/Anfavea
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Novo presidente da Anfavea defende o 'feito no Brasil', com nacionalização de itens como os chips

O executivo Márcio de Lima Leite acredita que a estratégia pode ajudar a indústria do País a ganhar competitividade para atender ao mercado interno, bem como exportar os itens

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2022 | 17h01

Ao assumir o posto de presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) nesta segunda-feira, 2, em São Paulo, o executivo Márcio de Lima Leite destacou que uma de suas prioridades será a busca pela nacionalização de componentes estratégicos como semicondutores e transmissão automática.

Em sua apresentação, ele destacou um selo com a frase “Feito no Brasil”, uma alusão ao slogan adotado há alguns anos pela indústria automobilística de Detroit, nos EUA, para recuperar a indústria automobilística local que vinha perdendo espaço no mercado para marcas internacionais como a Toyota.

Com a pandemia e a escassez de semicondutores, problema global que tem levado várias fábricas a paralisarem a produção, inclusive no Brasil, ele ressaltou que a nacionalização de itens importantes para os veículos faz parte da estratégia do setor de melhorar sua competitividade para atender o mercado interno e as exportações.

“É hora de ternos um olhar mais atento para isso”, disse Leite, para quem essa é uma tarefa da indústria e dos governos federal e estaduais. “Não se trata de buscar incentivos, mas de termos uma política industrial” para poder atrair fabricantes de componentes que hoje não são feitos no Brasil.

Nesta terça-feira, 3, o novo presidente da Anfavea vai seu reunir, em Brasília, com o ministro da Economia, Paulo Guedes, num encontro em que estarão todos os executivos das montadoras locais. “Vamos apresentar os investimentos que estamos fazendo, que são indutores da economia brasileira,  apresentar sugestões e o que pensamos para a retomada da industrialização.”

Leite ressaltou que os investimentos da indústria automotiva somam R$ 105 bilhões entre 2014 e 2028 e que o ecossistema total do setor envolve 98 mil empresas e envolve mais de 1,2 milhão de empregos.   “Temos senso de urgência em estabelecer prioridades”, afirmou ele, que tem 51 anos e é vice-presidente de Assuntos Jurídicos, Tributários e de Relações Institucionais da Stellantis na América do Sul. Ele sucede  Luiz Carlos Moraes, executivo da Mercedes-Benz do Brasil.

Além de dar continuidade às iniciativas da gestão anterior, como a pressão pela reforma tributária, outro foco de Leite será os trabalhos em pesquisa e desenvolvimento do etanol como um das fontes de geração de energia para carros elétricos, híbridos e a célula de combustível. “Não vamos apresentar só uma solução (para a eletrificação), queremos ser um grande player global com soluções que os outros países não têm.”

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