Novo presidente da Delta será anunciado em breve

A J&F Participações, holding que controla a empresa de alimentos JBS, a de higiene e limpeza Flora, a de papel e celulose Eldorado Brasil e o banco Original, informou que a Delta Construções S.A. terá uma gestão profissionalizada e que o nome do novo presidente da empresa está previsto para ser anunciado nos próximos dias. O presidente do conselho consultivo da holding e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não terá nenhum cargo ou função na gestão da empresa.

SUZANA INHESTA, COLABOROU IRANY TEREZA, Agencia Estado

09 de maio de 2012 | 17h11

"Nosso objetivo é honrar os contratos que serão auditados e preservar os mais de 30 mil empregos da Delta", disse o acionista da J&F, Joesley Batista, no comunicado enviado à imprensa nesta quarta-feira. O executivo também informou que o contrato preliminar que dá à J&F a gestão completa da Delta não envolve pagamento aos seus antigos controladores. "A auditoria sobre os ativos e contratos estabelecerá o valor da empresa, que servirá como base de cálculo para a opção de compra", ressaltou a holding.

Caso a J&F exerça a opção de compra, os recursos provenientes da distribuição dos dividendos futuros da própria Delta serão utilizados no pagamento dos ativos da empresa. A holding ainda informou que não haverá a necessidade de utilização de recursos próprios ou de terceiros para financiar a operação. "A entrada da J&F no setor de infraestrutura consolida a presença da holding em áreas dinâmicas da economia brasileira, fundamentais para o desenvolvimento econômico do País", disse Meirelles, na nota.

A holding possui aproximadamente 145 mil funcionários e um faturamento global em 2011 estimado entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões. Somente a JBS registrou uma receita líquida de R$ 61,7 bilhões no ano passado.

BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem 31,41% da JBS e, segundo fontes ouvidas pela Agência Estado, a operação é vista com reservas pela equipe técnica, mas o acompanhamento é feito de longe, sem nenhuma interferência. Além disso, o banco não teria interesse em entrar no negócio nem mesmo como financiador. Em junho do ano passado, o BNDES aprovou um crédito de R$ 2,7 bilhões para a Eldorado Celulose e Papel, empresa controlada pelo grupo JBS, para financiar parte da construção de uma fábrica em Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul.

Os irmãos Batista, segundo interlocutores, apostam nos ativos da Delta fora de Goiás, núcleo do escândalo. Embora todas as quase 200 obras que a construtora toca pelo País estejam sujeitas a investigação, eles acreditam que a suspeita maior fique restrita aos 3% representados pelos empreendimentos em Goiás.

O investimento total é avaliado em torno de R$ 6 bilhões e o negócio é acompanhado com certo estresse no banco, devido à enorme diversificação que os controladores do JBS estão imprimindo a seus negócios.

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