Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Novonor chega a acordo para colocar fim à briga judicial com Marcelo Odebrecht

Executivo, que foi preso no âmbito da Operação Lava Jato e foi demitido por justa causa pelo pai em 2019, movia processos contra a empresa controlada por sua família

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2022 | 18h12

A Novonor – novo nome da holding Odebrecht – chegou a um acordo com seu ex-acionista e presidente Marcelo Odebrecht para colocar fim a disputas judiciais entre as partes. A audiência de conciliação que selou o acordo foi realizada na última quinta-feira, 7. Desta forma, Marcelo deixa de ser acionista no grupo, confirmou a Novonor ao Estadão

A nova fase da Odebrecht, com mudanças de marcas de seus dois principais negócios, como a própria holding e a OEC (ex-Odebrecht Engenharia e Construção) também foi marcada por disputas públicas entre os membros da família Odebrecht. Ex-CEO da companhia, Marcelo, que ficou preso por quase dois anos (tendo sido libertado em 2017), no âmbito da Operação Lava Jato, foi demitido da companhia por justa causa pelo próprio pai, Emílio, em 2019

Ainda controlada pela família Odebrecht, a Novonor tem hoje gestão profissionalizada. À frente da holding está o executivo Hector Nuñez, mais conhecido pela atuação no varejo, em empresas como a Ri-Happy. Já a OEC, principal negócio do grupo e área em que a Novonor deve se especializar, é comandada por uma “prata da casa”, Maurício Cruz Lopes, que começou na Odebrecht há 25 anos, como estagiário.

Em entrevista ao Estadão, na semana passada, os dois executivos afirmaram que precisam recuperar a confiança do mercado no grupo. E admitiram que o caminho do negócio é ladeira acima. “A gente enfrentou uma crise no negócio e uma baixa histórica. Já tivemos 130 mil funcionários. Na pandemia, eram 8 mil (na OEC). Hoje estamos com 10,5 mil, no próximo ano estaremos próximos de 12 mil e chegaremos a 15 mil em dois anos”, disse Lopes.

A companhia ainda está em recuperação judicial, processo que envolve dívidas superiores a R$ 100 bilhões, um dos maiores da história do País. Uma das medidas para reduzir esse passivo é a venda de ativos, sendo o maior deles a petroquímica Braskem. A saída do negócio, após algumas tentativas fracassadas de vendas a concorrentes, deve ocorrer via Bolsa, até o fim deste ano.

A reportagem ainda não conseguiu contato com Marcelo Odebrecht.

Veja a íntegra da nota da Novonor

"A Novonor S.A. informa que, em 7 de julho de 2022, concluiu composição que encerra todos os litígios entre a Companhia e o ex-executivo Marcelo Odebrecht. Por meio de concessões recíprocas, que contaram com apoio de mediador profissional, Novonor e Marcelo Odebrecht alcançaram o consenso necessário para extinção dos processos iniciados em 2020. A partir da referida data, Marcelo Odebrecht deixou de ser acionista da Novonor e não exercerá qualquer cargo no Grupo Novonor."

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