Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Novos termos de acordo com Anatel reduzem dívida da Oi em R$ 4 bi, avalia Credit Suisse

Além da redução do endividamento, a aprovação do plano pode abrir espaço para a atração de investidores estratégicos para a companhia no curto prazo

Márcio Rodrigues, Circe Bonatelli e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2017 | 13h19

Os novos termos para a dívida da Oi com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), previstos no plano de recuperação aprovado na madrugada desta quarta-feria, 20, pelos credores, reduz em cerca de R$ 4 bilhões o débito total da companhia, segundo estimativa do Credit Suisse.

"A Oi emergiria do processo de recuperação com uma dívida líquida de cerca de R$ 22 bilhões (3,3 vezes dívida líquida/Ebitda). Se considerarmos os novos termos propostos à Anatel, a dívida líquida diminuirá para R$ 18 bilhões", segundo os analistas da instituição, Daniel Federle, Felipe Cheng e Juan Pablo Alba.

De acordo com a equipe, usando termos anteriores como base, o valor presente justo pela ação ON da Oi é de R$ 1,84 (após o aumento de capital), o que implica um múltiplo de 4 vezes Valor de Mercado/Ebitda em 2018.

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"No curto prazo (antes do aumento de capital), no entanto, as ações devem incorporar um valor adicional relacionado aos direitos de preferência dos acionistas para subscrever ações adicionais de Oi por R$ 1,11 por papel no aumento de capital agendado. Calculamos o valor do direito de preferência em R$ 0,73 por ação, resultando em um valor justo total de R$ 2,57". 

Investidor. O ex-presidente da Oi, Marco Schroeder, avalia que a aprovação do plano de recuperação judicial abriu espaço para a atração de investidores estratégicos para a companhia no curto prazo.

"Esta aprovação é um passo muito importante para a Oi, abre caminho para o necessário aumento de capital e crescimento do investimento da companhia. Além disso, recoloca a Oi no competitivo mercado brasileiro de telecom e abre possibilidade de, brevemente, buscar parceiros estratégicos para ajudar no crescimento da empresa", afirmou o executivo ao Estadão/Broadcast.

Durante seu periódico à frente da Oi, Schroeder manteve contato com interessados em investir na operadora, como foi o caso da estatal China Telecom e do bilionário egípcio Nagib Sawiris, dono da Orascom. No entanto, Schroeder sempre disse que qualquer avanço nas negociações dependia da aprovação do plano de recuperação para dar segurança jurídica aos investidores.

O atual presidente, Eurico Teles, disse após a assembleia de credores que a Oi "está pronta para qualquer um que queira comprá-la", embora tenha ponderado que não existem na mesa propostas firmes neste momento.

Nesta quarta-feira, 20, Schroeder enviou uma mensagem de parabéns aos colegas da operadora pela aprovação do plano de recuperação judicial na madrugada desta quarta-feira, durante a assembleia com credores que teve duração de 15 horas.

Ele esteve na segunda-feira, 18, com seu sucessor no cargo, Eurico Teles, e o diretor financeiro, Carlos Brandão, que já participavam das negociações da recuperação judicial e encabeçam o processo após a renúncia de Schroeder no fim de novembro, em meio a divergências com os acionistas. Nesta quarta-feira, acompanhou à distância a assembleia até o anúncio da decisão final, às 2h30 da madrugada.

“Fiquei muito feliz com a aprovação do plano da recuperação da Oi na assembleia realizada hoje. Meus parabéns ao Eurico, ao Brandão e a todo time da Oi", disse Schroeder. 

Anatel. O presidente da Anatel, Juarez Quadros, disse que se reuniu com o presidente Michel Temer na noite anterior à assembleia geral de credores da Oi, na segunda-feira, 18. Também participaram da reunião os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, e da Advocacia-Geral da União (AGU), Grace Mendonça.

Quadros disse que Temer e os ministros chamaram a reunião para entender o posicionamento da Anatel na assembleia geral de credores. O presidente da Anatel disse que informou ao presidente que o voto contrário da Anatel na assembleia geral de credores não impediria a realização da assembleia, nem a aprovação do plano de recuperação judicial da companhia. Quadros disse ainda ao presidente e aos ministros que o voto da Anatel não geraria insegurança jurídica.

"Tanto não impedia como não impediu. O plano foi aprovado, mesmo com o voto contrário da Anatel quando da AGU", afirmou Quadros.

Questionado sobre se o voto da Anatel não poderia influenciar os demais credores da Oi e, eventualmente, derrubar a assembleia, Quadros respondeu: "Mas não derrubou. O plano foi aprovado por ampla maioria, por sinal. Somente Anatel e AGU votaram contra". 

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