Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Nubank tem prejuízo de US$ 66,2 milhões em 1º balanço após abertura de capital

Perdas, porém, são 36% menores do que as do mesmo período do ano passado; resultado negativo foi menor do que as previsões do serviço Prévias Broadcast

André Jankavski e Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2022 | 18h36

Em seu primeiro balanço após a abertura de capital em Nova York, em dezembro, o Nubank fechou no vermelho. Os resultados do quarto trimestre de 2021 mostraram perdas de US$ 66,2 milhões, queda de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior (US$ 107 milhões). O prejuízo anualizado do banco digital foi de US$ 165,3 milhões, queda de 0,4% em relação a 2020.

O prejuízo reportado do Nubank no quarto trimestre de 2021 ficou abaixo da média das estimativas das quatro casas (BTG Pactual, Citi, Itaú BBA e UBS BB) consultadas pelo Prévias Broadcast. A média das projeções apontava para prejuízo reportado de US$ 79 milhões. O resultado do Nubank nesta linha do balanço veio 16% abaixo desse número. O Prévias Broadcast considera que os resultados ficaram em linha com o esperado quando são até 5% maiores ou menores que a média das estimativas.

Os resultados vieram após um dia bastante negativo para a companhia na Bolsa americana, quando as suas ações registraram uma queda de 10,66%, a US$ 8,80. Nas negociações realizadas fora do horário do pregão, os papéis recuperaram parte do valor e registravam uma alta de 3,4% às 18h44 em relação ao preço do fechamento. As ações do banco brasileiro, que chegou a ser o mais valioso da América Latina, têm enfrentado forte volatildiade desde o IPO (oferta inicial de ações), realizado em dezembro.

A receita de US$ 635,9 milhões de outubro a dezembro, um crescimento de 214% em relação aos últimos três meses de 2020. A instituição financeira alcançou uma receita de US$ 1,7 bilhão no ano passado, o que representa uma alta de 130% em relação a 2020.

Clientela em alta, mas concentrada no Brasil

O Nubank adicionou 5,8 milhões de clientes em sua base, chegando a um total de 53,9 milhões. Deste total, 52,4 milhões estão no Brasil. No México, a empresa chegou a 1,4 milhão e se colocou como a empresa que mais emite novos cartões de crédito no país norte-americano. Já na Colômbia, país em que David Vélez - presidente do Nubank -, nasceu, a empresa chegou a 114 mil depois de 15 meses do lançamento.

Em mensagem para os acionistas, Vélez viu como positivo o balanço do quarto trimestre e chamou a atenção para o número de brasileiros que foram incluídos no mercado de capital através do seu programa NuSócios, que deu BDRs (recibos de ações) da fintechs para os clientes que assim o quisessem. 


“Mantendo a nossa orientação de longo prazo e sempre colocando os clientes em primeiro lugar, estamos acelerando os esforços para construir um poderoso ecossistema para acelerar a expansão em nossos novos mercados geográficos”, escreveu Vélez. 

Crédito em crescimento, reservas contra calotes também

O Nubank encerrou 2021 com uma carteira de crédito  de US$ 2 bilhões, crescimento de 317% na comparação com o fechamento de 2020. Quando se desconta a variação cambial, a alta foi de 343,5%.

O crescimento foi impulsionado principalmente pela expansão de empréstimos pessoais e, em menor medida, pela introdução de novos produtos financeiros, incluindo financiamento de compras e de boletos, bem como refinanciamento de contas, ressalta o banco ao apresentar seus resultados.

Esse aumento veio acompanhado de forte reforço nas provisões para devedores duvidosos (PDD). No quarto trimestre, as provisões somaram US$ 199,6 milhões, expansão de 258% em 12 meses. No acumulado de 2021, as provisões US$ 480,6 milhões, aumento de 183%.

Apesar do reforço das provisões e da alta do crédito, a fintech destaca que os calotes seguem baixos. A taxa de inadimplência, considerando os atrasos acima de 90 dias, fechou 2021 em 3,5%, de 3,4% no trimestre anterior. A média do mercado em dezembro era de 5%, destaca o Nubank em seu balanço. Para atrasos de menor prazo, a taxa subiu de 2,3% em setembro para 2,6% em dezembro.

Prova de lucratividade

Para Flávio de Oliveira, chefe de renda variável do escritório Zahl Investimentos, apesar dos números acima do esperado por parte do mercado, os verdadeiros testes do Nubank acontecerão nos próximos trimestres. O maior desafio da fintech, segundo ele, é mostrar que ela pode ser lucrativa com o seu atual modelo de negócio.

“Prejuízos fazem parte de empresas de tecnologia de crescimento, mas o Nubank tem uma das maiores clientelas, mas com uma das menores receitas em dólar. A grande dúvida que ainda paira no mercado é se ela vai conseguir monetizar os clientes”, afirma Oliveira.

Para Renato Mendes, sócio da consultoria F5 Business Growth, a empresa conseguiu mostrar um sólido resultado em 2021, ainda mais por ter tido um crescimento robusto e ter conseguido equilibrar as perdas. "A empresa continua acelerando o crescimento e com uma velocidade assustadora. Acredito que isso mostra que o modelo do Nubank não é mais uma incerteza e já está dando certo", diz Mendes.

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