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Nubank estuda pedir 'depósito caução' para cartão de crédito

Inspirada em modelo americano, empresa consulta interessados sobre possibilidade de contrapartida em dinheiro para conceder limite

Malena Oliveira, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2017 | 05h00

Após alcançar mais de 8 milhões de pessoas com a proposta de um cartão de crédito sem anuidade, juros mais baixos no rotativo e relacionamento digital, a Nubank agora consulta interessados sobre a possibilidade de conceder o cartão roxo em troca de um depósito em dinheiro feito pelo usuário.

O modelo de "caução", que é comum em grandes bancos nos EUA, é uma das iniciativas ainda em estudo pela empresa, diz a sócia e uma das fundadoras da startup, Cristina Junqueira. "Estamos explorando alternativas para atender o cliente na lista de espera ou que tenha tido o cartão negado", afirma. 

Segundo a empresária, hoje cerca de 500 mil cadastros aguardam por um cartão. O principal desafio da Nubank, contudo, é arcar com os custos do crescimento de sua base de clientes. Isso porque, para cada real em crédito, a empresa precisa depositar outro real de capital de giro.

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É justamente para essa conta que vai a maior parte do dinheiro levantado pela fintech até hoje. Foram, no total, US$ 180 milhões em cinco aportes realizados por fundos de capital de risco, incluindo o Sequoia Capital, famoso por investir em companhias de tecnologia como Apple e Google, além de uma linha de empréstimo de R$ 400 milhões do Goldman Sachs.

O depósito "caução" seria nesse sentido uma alternativa para levantar recursos. A consulta feita a uma amostra de interessados - a empresa não revela quantos -, consiste em um questionário com uma simulação do depósito necessário para a concessão de determinado limite de crédito, geralmente de valor próximo. Para um limite de R$ 500, por exemplo, analisou-se um depósito de R$ 250.

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Para Guilherme Horn, diretor de inovação da consultoria Accenture, a iniciativa poderia beneficiar pessoas que não tenham histórico de transações financeiras, ou mesmo que estejam com pendências no CPF: "Qualquer operação de funding tem um custo muito alto no Brasil e esse movimento nos aproxima de mercados internacionais", destaca.

No caso do Nubank, o modelo avaliado contempla depositar o dinheiro como garantia em uma aplicação financeira no nome do cliente, com rendimentos superiores à caderneta de poupança - que em maio obteve rendimento de 6,57% em 12 meses. "A gente explicou que a aplicação rende mais do que a poupança porque ela é taxada como um investimento que não tem bom rendimento", conta Cristina Junqueira.

Receita. Com prejuízo de R$ 122 milhões em 2016, a Nubank viu sua receita crescer 644%, para R$ 77,1 milhões, no ano passado. O próprio balanço da empresa destaca que a empresa não vê problemas em ainda não operar no azul. 

Fundada pelo colombiano David Vélez, a Nubank se inspira em modelos de negócio americanos como o Capital One, que concede crédito com base em análise aprofundada de dados.

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