Tiago Queiroz/Estadão
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Nubank tem prejuízo de US$ 45 milhões e vê inadimplência crescer no 1º trimestre

Atrasos acima de 90 dias passam de 4% no banco digital, que viu a carteira de crédito saltar mais de 300% em 12 meses

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2022 | 18h49

O Nubank anunciou no início da noite desta segunda-feira, 16, seu esperado balanço do primeiro trimestre, com prejuízo líquido US$ 45 milhões, uma melhora de 9% em relação à perda de US$ 49 milhões do mesmo período de 2021. O banco informou ainda lucro ajustado de US$ 10,1 milhões nos três primeiros meses do ano.

A carteira de crédito do banco digital terminou março em US$ 3,1 bilhões, aumento 343% em 12 meses, puxado pelo aumento dos empréstimos pessoais, que cresceram 400%. Em número de clientes, o Nubank fechou o primeiro trimestre com 59,6 milhões, nível recorde, com aumento de 5,7 milhões nos três primeiros meses do ano.

Um dos indicadores mais aguardados pelos analistas, a taxa de inadimplência do Nubank ficou em 4,2%, considerando os atrasos acima de 90 dias. O número representa avanço ante o indicador ao final do quarto trimestre de 2021, quando estava em 3,5%, e em março do ano passado, quando ficou em 2,7%.

Com o aumento da inadimplência, o banco reforçou a previsão para devedores duvidosos em US$ 921 milhões nos três primeiros meses do ano. Na comparação com o mesmo período de 2021, o aumento foi de 35%.

"Foi o melhor trimestre da história do Nubank", afirmou o CEO e cofundador da fintech, David Vélez, no comentário de resultados, destacando que o neobanco chegou a 60 milhões de clientes. Ele destacou ainda a receita recorde, o crescimento acima da média do mercado da carteira de crédito e a taxa de inadimplência sob controle.

 Ao mesmo tempo, a receita média por cliente ativo (ARPAC, na sigla em inglês) chegou a US$ 6,7 por mês no primeiro trimestre, alta de 63% no comparativo anual. As receitas totais do Nubank subiram 226% em um ano, para US$ 877 milhões no primeiro trimestre.

O mercado de capitais já havia antecipado os riscos do balanço do primeiro trimestre, devido ao potencial aumento da inadimplência e por causa da alta da taxa de juros nos Estados Unidos. As ações do Nubank tiveram forte queda desde a oferta pública inicial (IPO), realizada no ano passado. O preço dos papéis da companhia foi de US$ 9,98 no começo deste ano para US$ 4,35 nesta segunda-feira. Apesar de ter superado o Itaú em valor de mercado na época do IPO, o Nubank agora tem valor de mercado na bolsa menor do que o Santander.

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