Número de empregos criados no ano até julho é o maior desde 1992

Segundo o Caged, geração de vagas superou demissões em 1.655.116 postos, recorde para a série histórica 

Eduardo Rodrigues e Célia Froufe, da Agência Estado,

19 de agosto de 2010 | 14h40

O Ministério do Trabalho informou nesta quinta-feira, 19, que o saldo líquido de empregos criados com carteira assinada no País em julho foi de 181.796 vagas. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a geração de vagas de emprego superou as demissões em 1.655.116 postos formais de trabalho no período de janeiro a julho de 2010, valor recorde para os primeiros sete meses de um ano desde o início da série histórica, em 1992. A meta do governo é atingir 2,5 milhões de empregos novos com carteira assinada este ano, já descontadas as demissões.

No mês passado, o setor de serviços foi o que registrou o maior saldo de criação de empregos formais, com 61.606 novas vagas, recorde para julho. "O bom resultado está ligado ao período de férias, que tem grande contratação em serviços como restaurantes e hotelaria", afirmou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

No período, o saldo de contratações da indústria de transformação, que paga os melhores salários, foi de 41.530 vagas. "O emprego no setor de serviços está crescendo mais porque, ao contrário da indústria, normalmente demanda menor especialização", acrescentou Lupi.

Segundo o ministro, as 38.382 vagas criadas em julho na construção civil, também recorde para o mês, refletem a demanda do programa habitacional Minha Casa Minha Vida, além do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e outros investimentos privados.

Já os comércios varejista e atacadista registraram a criação de 28.250 postos formalizados em julho. "O crescimento no setor deve ser acentuado no segundo semestre, com a criação de vagas temporárias, mas com carteira assinada", completou Lupi.

Recordes sucessivos

Lupi disse que prevê números robustos para o mercado de trabalho formal até o final deste ano. "Teremos recordes sucessivos (na geração de emprego) para o mês até o final do ano", afirmou. Segundo ele, os números serão positivos porque a indústria já está superando a capacidade de produção e o mercado consumidor também continua forte. Habitualmente, Lupi costuma fazer críticas a elevações de juros pelo Banco Central, mas dessa vez ele fez referência direta ao presidente da autoridade monetária. "Até Henrique Meirelles está otimista. Se ele está otimista, estou no céu", comparou.

Lupi avaliou que os números de julho sobre o mercado de trabalho mostram uma certa acomodação do setor em um patamar elevado. Pelos dados do Caged, houve no período 181.796 mil novas vagas de trabalho líquidas. Em números absolutos, o montante é superior ao registrado em idêntico mês do ano passado (138 mil vagas líquidas), mas inferior ao saldo de empregos formais verificados em junho (213 mil). "Mesmo não sendo um recorde para o mês, é um número muito próximo aos recordes", afirmou. Ele se referia ao saldo de 203 mil vagas criadas em julho de 2008 e de 202 mil postos de trabalho obtidos em julho de 2004 - os números mais robustos para o mês da série histórica do Caged.

Crescimento em todas as regiões

Todas as regiões do País registraram elevação no número de empregos formais em julho, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.

A região Sudeste obteve o melhor saldo no mês, com a criação de 90.905 postos de trabalho, seguida do Nordeste, com 40.675 novas vagas formais. Já a região Sul, com saldo de 27.586 empregos, teve o melhor resultado para julho desde o início da série histórica em 1992.

De acordo com os dados do Caged, a região Norte registrou elevação de 12.010 postos de trabalho, mas os Estados de Roraima e Amapá registraram pequenas quedas de 120 e 23 vagas, respectivamente. Na região Centro-Oeste, o crescimento foi de 10.620 empregos, embora o Distrito Federal tenha recuado em 78 postos no período.

Para o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, as variações negativas nas três unidades da Federação foram casos isolados e não refletem uma tendência.

O Estado de São Paulo foi a unidade da Federação que registrou o maior saldo de contratações em julho, com a criação de 62.497 vagas no mês. O resultado foi o terceiro melhor para julho desde 1992, quando se inicia a série histórica do Caged, ficando trás apenas dos desempenhos obtidos em 2004 e 2008.

A variação representou um aumento de 0,55% no estoque de assalariados com carteira assinada de junho. O setor de serviços foi o que criou mais vagas no Estado no mês passado, com 24.266 postos, à frente da indústria de transformação (13.919) e do comércio (10.626).

Nos primeiros sete meses de 2010, o crescimento de vagas celetistas foi de 608.240 no Estado de São Paulo, o segundo melhor resultado da série histórica, atrás de 2008.

Previsão para 2010

Lupi manteve a previsão de que, no ano, haverá um saldo de 2,5 milhões de novas vagas de trabalho formal, apesar de julho ter registrado, pela terceira vez consecutiva, uma diminuição no volume de criação de empregos com carteira assinada em relação ao mês anterior. Segundo ele, há possibilidade de atingir a meta de 2010 porque espera-se uma nova retomada de recordes na geração de empregos a partir deste mês.

"Não esperamos novos aumentos das taxas de juros. Até o Banco Central está otimista de que teremos quatro ou cinco meses finais do ano muito fortes na geração de empregos", disse, citando, mais uma vez a autoridade monetária. "Serão meses sequencialmente de recordes."

Para o ministro, o esfriamento na geração de empregos nos últimos meses nada mais foi do que uma readequação do mercado ao crescimento "muito forte" do começo do ano. "A adequação foi muito positiva. Estamos mal acostumados com recordes", minimizou. Em janeiro, segundo o Caged, foram criadas 181 mil novos postos de trabalho. Em fevereiro, o volume saltou para 209 mil; em março, para 266 mil, atingindo o recorde do ano em abril, quando ficou em 305 mil. A partir de maio, houve desaceleração dos números, para 298 mil e 213 mil em junho. No mês passado, houve geração de 182 mil postos.

O ministro salientou ainda que a perspectiva do Ministério da Fazenda é mais conservadora do que a do Ministério do Trabalho. A projeção da Fazenda é de criação de 2,3 milhões de postos este ano.

(Texto atualizado às 15h57)

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