Nunca na história dos EUA o teto da dívida foi usado para chantagear, diz Obama

Paralisação parcial dos pagamentos do governo pode ocorrer a partir de 1º de outubro, caso Obama e o Congresso não encontrem solução para o limite do endividamento federal

Agência Estado

18 de setembro de 2013 | 13h57

WASHINGTON - Barack Obama disse que está sofrendo chantagem, mas não quer que isso vire um hábito. O presidente dos EUA afirmou, nesta quarta-feira, 18, que a tentativa dos republicanos de excluir recursos para financiar reformas no setor de saúde (o chamado "Obamacare") dos projetos de financiamento do governo e da elevação do teto da dívida deve ser contrariada porque é uma tentativa de chantagem.

"Vou negociar com eles sobre o Orçamento, mas o que eu não vou fazer é criar um hábito no qual o crédito acaba sendo usado como motivo para chantagem", frisou, acrescentando que não vai negociar com o Congresso a elevação do teto da dívida. Uma facção dos republicanos está simplesmente dizendo que "eles vão jogar tudo para cima a menos que eu faça o que eles querem", disse Obama. Ele afirmou, porém, que está preparado para avaliar as prioridades orçamentárias dos republicanos.

A Casa Branca já afirmou às agências federais para se prepararem para uma paralisação parcial do governo a partir de 1º de outubro, no mais novo sinal de que está acabando o tempo para que o governo do presidente Barack Obama e o Congresso dos EUA alcancem um acordo para o limite do endividamento do governo federal.

O presidente lembrou que, da última vez em que houve um impasse sobre o teto da dívida o rating dos EUA foi rebaixado. Ele sugeriu elevar o teto da dívida agora e depois debater o Orçamento. "Não podemos colocar a confiança e o crédito dos EUA em risco a cada ano", afirmou Obama, ressaltando que um default do país pode provocar uma crise mundial.

Na Câmara. Assessores da liderança republicana na Câmara dos Representantes dos EUA afirmaram que a Casa pode votar na próxima semana um projeto para suspender por um ano o limite legal de endividamento do governo federal. Segundo essas fontes, a proposta não prevê recursos para o programa Obamacare - o que significa que a implementação das medidas para a saúde seria atrasada em um ano.

Nesta quarta-feira, o presidente da Câmara, o republicano John Boehner, disse que a Casa deve votar esta semana outro projeto, que financiaria temporariamente as atividades do governo a partir de 1º de outubro, já que a legislação atual sobre esse financiamento expira em 30 de setembro, quando termina o ano fiscal do governo. O projeto tampão financiaria o governo até 15 de dezembro. Novamente, a proposta não prevê recursos para o Obamacare, o que significa que dificilmente será aprovada pelo Senado.

Temor. Em um memorando enviado a departamentos e agências federais, a diretora de gerenciamento e orçamento do escritório da Casa Branca, Sylvia Burwell, informou às agências que o financiamento para muitos programas e departamentos vai expirar às 23h59 (horário local) do dia 30 de setembro e que "o gerenciamento prudente exige que as agências estejam preparadas para a possibilidade de um lapso".

O Medicare, a Seguridade Social e o Medicaid continuam pagando benefícios, mas milhares de funcionários federais considerados não essenciais são demitidos indefinidamente, parques nacionais fecham e serviços militares podem parar após uma semana.

Sylvia afirmou no memorando que a Casa Branca "não quer que um lapso nas apropriações aconteçam" e que "ainda existe tempo suficiente" para os formadores de política chegarem a um acordo. No entanto, as agências do governo não têm muito tempo para se preparar. Em abril de 2011, a Casa Branca e o Congresso fizeram um acordo no último momento para evitar uma paralisação parcial do governo e os dois lados acreditam que essa postura vai se manter desta vez também. Fonte: Dow Jones Newswires.

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