Ana Paula Paiva / Valor / Agência O Globo
Ana Paula Paiva / Valor / Agência O Globo

O agrônomo que livrou a Via Varejo de um prejuízo bilionário

Peter Estermann só estreou no varejo há quatro anos e a partir de abril sucederá Ronaldo Iabrudi no comando do Grupo Pão de Açúcar

Fernando Scheller, O Estado de S. Paulo

05 Março 2018 | 05h00

O estilo de gestão do executivo Peter Estermann, 60 anos, à frente da dona da Casas Bahia e do Ponto Frio sugere um homem de varejo. No entanto, as origens do executivo que tirou a Via Varejo de um bilionário prejuízo estão no agronegócio. Ele só estreou no varejo há quatro anos, pelas mãos de Ronaldo Iabrudi, com quem já havia trabalhado anteriormente. A partir de abril, ele sucederá Iabrudi no comando do Grupo Pão de Açúcar. 

Agrônomo de formação, Estermann teve a maior parte de sua carreira dedicada ao agronegócio, setor em que atuou por 20 anos. O executivo – nascido em Rolândia, colônia alemã no Norte do Paraná, que tem até a própria Oktoberfest – só mudou de área em 2001, quando foi atuar na Telemar (atual Oi). Depois de uma passagem pela Medial Saúde, ficou seis anos na mineradora Magnesita. 

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No Grupo Pão de Açúcar, fez carreira meteórica: entrou como vice-presidente de infraestrutura e estratégia do GPA em 2014, foi promovido a presidente da Via Varejo em 2015 e agora será alçado ao comando do grupo.

À frente da Via Varejo, Estermann ficou conhecido pelo estilo “mão na massa”. Na última Black Friday, foi a uma loja às 6h30 para verificar os preparativos para a megapromoção. Para tirar o negócio do vermelho, teve de tomar decisões rápidas e fazer cortes na carne.

Quando Estermann chegou à Via Varejo, em setembro de 2015, a empresa ainda estava abrindo lojas, apesar das vendas ruins. Virou a chave rapidamente: passou a fechar pontos de venda. E esse não era o único erro a ser corrigido: era necessário diferenciar as marcas Casas Bahia e Ponto Frio e tirar o atraso em relação ao Magazine Luiza no e-commerce. 

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Em agosto de 2016, o GPA desistiu do que foi considerado um de seus maiores erros estratégicos no País: a contabilização das vendas físicas na Via Varejo e dos negócios online na Cnova. Com a decisão, o e-commerce passou de patinho feio a prioridade. 

A abertura de lojas, que voltou a ser feita em 2017, passou a priorizar a integração com o mundo online, que hoje responde por cerca de 25% dos negócios da Via Varejo. São unidades menores, voltadas à exposição de produtos e que fazem o papel de ponto de coleta para compras feitas pela web.

Estermann, porém, não deixou as origens do agronegócio totalmente no passado. Um de seus hobbies, no sítio que mantém, é a criação do galo índio gigante. A ave ornamental, que chega a medir 1,2 metro, é alvo de disputas ferrenhas em leilões – em outubro de 2017, um galo foi arrematado por R$ 154 mil. 

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