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O bom senso dos sensores

Cenas antes consideradas ficção científica tornam-se realidade em um mundo conectado

Guy Perelmuter*, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2017 | 05h40

A viabilização de um mundo realmente conectado - onde não apenas computadores estão em rede mas qualquer dispositivo físico é capaz de receber e transmitir dados - configura uma das maiores mudanças no ambiente de negócios das últimas décadas. Conforme vimos na semana passada, a infraestrutura da Internet está sendo adaptada para permitir que um número extraordinariamente grande de equipamentos possam ser conectados e integrados. Ao mesmo tempo, iniciativas ao redor do mundo procuram padronizar os modelos de comunicação entre as máquinas, viabilizando um ambiente menos complexo e mais eficiente.

A redução no custo de manufatura dos sensores - os elementos responsáveis por capturar informações e transmiti-las - permite que atualmente um único equipamento tenha diversos tipos de sensores instalados: proximidade, luz, ruído, temperatura, pressão, giroscópio (que determina sua orientação espacial), acelerômetro (que determina a força sendo aplicada) e umidade são apenas alguns exemplos. E esse mercado possui perspectivas extremamente positivas: de acordo com a BIS Research, o crescimento esperado para os fabricantes de sensores nos próximos cinco anos chega a quase 30% ao ano.

A gestão dos ativos próprios, obtendo informações através de sensores, desponta como um dos primeiros projetos de amplo escopo adotado por diversas empresas. Frotas de veículos, mercadorias e equipamentos - além da cadeia de fornecedores e clientes - torna-se passível de monitoramento e mensuração em tempo real. Durante o transporte a temperatura de um produto perecível está chegando perto de níveis críticos? Basta emitir um alerta para o motorista, informando qual embalagem precisa ser substituída ou qual providência deve ser tomada. Se o veículo for autônomo, basta desviá-lo para o centro de manutenção mais próximo - e caso isso não seja viável, descarta-se aquele produto em particular.

O consumo de energia também será significativamente otimizado - seja para controlar elevadores, equipamentos de refrigeração e calefação ou iluminação. Com sensores de movimento ou pressão é possível determinar quantas pessoas encontram-se em cada ambiente, ajustando-se a temperatura de acordo e viabilizando uma gestão mais eficiente do uso da energia.

Outra aplicação envolve determinar, com antecedência e segurança, qual o momento adequado para manutenção de um equipamento - seja um componente específico de uma máquina, uma turbina, um motor ou uma sonda de exploração de petróleo. Com a capacidade de monitorar parâmetros como desgaste, volume de uso e fadiga do material, os operadores são notificados assim que algum tipo de ação se fizer necessária.

A IoT também pode tornar realidade um elemento de ficção apresentado no filme “Minority Report” de 2002, dirigido por Steven Spielberg e baseado em um conto do escritor Philip K. Dick: a personalização da indústria de propaganda. Com sensores inteligentes acoplados a produtos, é possível identificar o consumidor através de seu celular (no filme essa identificação ocorre através da retina) e assim direcionar as propagandas e promoções mais relevantes para aquele indivíduo.

Os aumentos na eficiência e redução do desperdício que tornam-se possíveis com o uso dos sensores, dados e algoritmos espalhados pelo planeta prometem ganhos de produtividade relevantes, potencialmente fortalecendo a economia e todos os elementos que participam da cadeia produtiva. Mas a revolução da Internet das Coisas não irá se limitar aos negócios: o impacto nas residências e nas cidades será igualmente significativo - com possibilidades de melhorias expressivas para a qualidade de vida da população. Esse será nosso tema da semana que vem. Até lá.

*Fundador da GRIDS Capital, é Engenheiro de Computação e Mestre em Inteligência Artificial

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