O Copom tem uma visão muito otimista da inflação

A ata da 162ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) defende a política de meta de inflação, procurando convencer o público de que as autoridades monetárias continuam fiéis a esse compromisso, sem ceder à tentação de abandonar a luta contra a inflação em favor de uma opção pelo crescimento.

O Estado de S. Paulo,

28 de outubro de 2011 | 07h42

A leitura do documento deixa, no entanto, um certo mal-estar, na medida em que o novo rumo do Copom é justificado em nome da deterioração da situação internacional, em particular do malogro dos Estados Unidos em reativar a sua economia, e da União Europeia em enfrentar uma situação que ameaça sua própria sobrevivência. Faltaria comprovar os efeitos negativos, já que as dificuldades de conseguir ajuda externa a um preço aceitável poderão ser compensadas pela melhoria das exportações em reais. Não negamos a incerteza do quadro mundial, mas é um ponto que mereceria melhor análise.

A grande justificativa apresentada pelo Copom é que a inflação atingiu seu ponto alto no 3.º trimestre e que preços mais elevados favorecerão uma moderação da demanda doméstica, seguida afinal por uma desaceleração dos preços.

Trata-se de uma aposta audaciosa, embora tenha começado a se verificar um recuo da inflação. Mas parece que as autoridades monetárias preferem ignorar o surto de compras compulsivas que toma conta das famílias no período natalino. Segundo a FGV, a intenção de adquirir bens duráveis, refletida no Índice de Confiança do Consumidor, atingiu em outubro seu maior patamar em 31 meses.

De fato, os últimos reajustes de salários nas montadoras de veículos e nos bancos, aos quais virá se acrescentar o pagamento do 13.º salário, vão levar a uma nova e forte elevação da demanda. E isso vai acontecer numa fase em que a indústria está em pleno marasmo. Num primeiro momento, a indústria lançará mão dos seus estoques, mas logo terá de recorrer à importação. É preciso torcer para que isso não acarrete maior desvalorização do real ante o dólar, que é a maior fonte de inflação.

Ao mesmo tempo, o governo vai ter de aumentar suas despesas para realizar investimentos, que continuam abaixo do nível do ano anterior, criando aumento de liquidez que alimentará a elevação do crédito.

O grande problema foi o governo estimular a demanda (a ata reconhece que continua robusta) sem cuidar de favorecer um aumento da oferta. A indústria viciou-se em recorrer à importação que reduz os preços.

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