O homem que viaja o mundo com uma fita métrica na mão

O homem que viaja o mundo com uma fita métrica na mão

Johannes Derwahl, 33 anos, trocou o marketing de moda pela alfaiataria

Fernando Scheller, O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2014 | 05h00


A imagem do alfaiate velhinho, esforçando-se para achar as casas dos botões, é desafiada por Johannes Derwahl, de 33 anos, que se tornou uma espécie de “mestre das medidas” para a Scabal. Embora no Brasil a estratégia da marca belga envolva parceiros locais que conheçam bem o cliente, o mesmo não é verdade para mercados como a Rússia, onde a empresa também começa a atuar agora.

“Lá, não há cultura de alfaiataria. Em Moscou, até existem alguns profissionais, mas na Sibéria, para onde eu já fui, eles nos esperam o ano inteiro para fazer um terno”, diz Derwahl. “E, caso o terno seja feito por um profissional russo, não é visto como um produto europeu, diferenciado. É por isso que eu tenho de viajar.”

Antes de adotar a fita métrica como principal instrumento de trabalho, Derwahl trabalhou em departamentos de marketing de empresas de moda, como a americana Tommy Hilfiger. Agora, viaja o mundo convencendo homens a mudar algumas convenções na hora de escolher um terno.

Um dos principais erros é o paletó largo demais, que não favorece ninguém. Respeitando-se os limites de cada biotipo, explica o especialista, a roupa deve ser o mais bem ajustada ao corpo quanto possível. Outras tendências na hora de escolher um terno: jaquetas mais curtas e calças que mostrem sapatos de qualidade.

Crise sob medida. Essa ofensiva da Scabal nos mercados emergentes - a empresa já abriu uma loja com parceiros até no Azerbaijão - está ligada à crise europeia. A empresa, que fatura A 50 milhões por ano entre o negócio de tecido e as confecções de ternos, precisa diversificar suas fontes de receita.

“Hoje, o europeu não vê mais o terno como algo para se orgulhar, é só uma roupa que veste para ir trabalhar”, diz Olivier Vander Slock, diretor comercial da Scabal. “É por isso que estamos buscando os mercados emergentes.”

Tudo o que sabemos sobre:
alfaiatariamoda

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.