O luxo despojado de Natalie Klein

Herdeira das Casas Bahia planeja expansão da NK Store, sua loja paulistana de roupas, e conta que não cumpriu a promessa de trabalhar menos depois do nascimento da filha   

Leticia Bragaglia, do Economia & Negócios,

30 de maio de 2011 | 07h41

Natalie Klein, sempre foi uma menina precoce. Aos 8 anos já comandava a casa do pai, recém-separado. "Depois do divórcio fui morar com ele e meus dois irmãos. Naturalmente comecei a querer cuidar deles. Eu arrumava a dispensa de comida e o armário de remédios por ordem alfabética," conta a empresária, dando risada. Anos mais tarde, quando a maior parte das garotas de sua idade se dividiam entre namoricos e faculdade, encarou a responsabilidade de abrir uma loja de roupas, a NK Store, reunindo grifes internacionais jovens e descoladas. "Eu tinha só 21 anos. Quando fui fazer meu primeiro showroom para comprar peças da coleção da Bluemarine, me perguntaram onde estava a minha mãe, porque eu era muito novinha."

Bem sucedida, aos 35 anos, a neta de Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, nem de longe se parece com as meninas bem nascidas de sua geração que, aproveitando os contatos familiares e o bom gosto apurado em viagens, abrem e fecham butiques num piscar de olhos. "Abri mão de muita coisa para estar aqui. Trabalhei um milhão de vezes até tarde, nos finais de semanas," diz a empresária. Em quase 15 anos de existência, a NK Store se firmou no mercado fazendo um contraponto com a Daslu, como uma alternativa para as endinheiradas interessadas em um luxo menos ostensivo. "Não vendo em minha loja griffes reluzentes, cheias de logotipos. Busco design e qualidade, uma coisa mais cool."

Natalie parece ter acertado em cheio em suas escolhas. Encravada em um dos quarteirões mais chiques dos Jardins, sua loja, que nem tem placa, vive cheia de clientes dispostas a assinar cheques gordos em troca de um terninho Balmain ou uma bolsa Marc Jacobs. Para atender as cariocas, uma segunda loja também foi aberta no Rio de Janeiro no final do ano passado, e as vendas vão muito bem." Mas descarto abrir outras lojas. O charme da NK é ser pequena."

A empresária conta que o tino para os negócios vem de família. "Meu avô é um visionário, vê oportunidades onde ninguém enxerga. Aprendi a negociar em casa. A gente negociava tudo, até a quantidade de batata frita na hora do jantar." Para o pai, Michel, também sobram elogios. "Eu sempre idolatrei meu pai. Tudo o que ele faz é muito calculado, bem pensado. Quando ele veio falar sobre a operação que uniria as Casas Bahia e o Pão de Açúcar, a princípio, todo mundo tomou um susto. Mas eu confiei, percebi que a idéia era brilhante, não tinha como dar errado. Apoiei todas as decisões."

Acostumada ao glamour do mundo da moda, Natalie acabou se aproximando de nomes famosos, como Stella MacCartney. "Ela é muito talentosa e pé no chão, uma referência, tanto do ponto de vista pessoal como profissional." Assim como a estilista britânica, Natalie, que já é mãe de Ava, diz que pretende ter mais filhos com o marido, Tufi Duek. "A gente descobre pra que veio nessa vida quando tem filhos."

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