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Guy Perelmuter
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O seu, o meu, o nosso - parte 2

O sucesso ou o fracasso escrito nas estrelas

Guy Perelmuter*, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2017 | 05h48

A economia compartilhada, colaborativa ou de acesso - não importa o nome que você escolha - está longe de ser uma unanimidade. Os defensores apontam benefícios como a redução do desperdício e o aumento da independência do consumidor. Agora, segundo eles, o usuário só vai gastar aquilo que usa. E se não ficar satisfeito com o serviço, pode mudar de fornecedor com um simples apertar de botão. Mas essa é apenas parte da história.

Algumas das empresas que mais se beneficiam da economia compartilhada são as donas das interfaces com os clientes, que viabilizam o acesso ao bem ou ao serviço desejado, realizando a desintermediação. Essas empresas deixam os próprios usuários - seus consumidores - classificar, ordenar e premiar aquele que fornece o serviço. Empresas como Uber, Trivago, Airbnb, OpenTable, eBay e MercadoLivre, TaskRabbit e Get Ninjas - todas permitem que você acesse o provedor do serviço - respectivamente um carro, um hotel, uma casa ou apartamento, um restaurante, uma compra, uma tarefa - e permitem que outros saibam como foi sua experiência.

Atualmente, o consumidor busca a opinião de seus pares - não necessariamente de críticos ou de especialistas. E diversos provedores perceberam que a melhor fonte de informações para criar recomendações eficientes é o padrão de consumo associado a cada indivíduo. A Netflix lançou um desafio para sua comunidade em outubro de 2006, oferecendo US$ 1 milhão para quem fosse capaz de produzir um algoritmo que, comparado com o modelo que a própria Netflix utilizava, fosse capaz de recomendar os filmes que mais iriam agradar a determinado usuário com base nas notas que esse mesmo usuário havia dado a outros filmes. O concurso terminou em setembro de 2009, e o vencedor conseguiu resultados cerca de 10% melhores que o algoritmo original da Netflix. Mas o avanço tecnológico é implacável: durante o período da competição o modelo de negócios da empresa mudou: o aluguel de DVD foi substituído pela transmissão via Internet de vídeos (streaming). Em razão disso (e da complexidade da mudança necessária), o algoritmo vencedor não chegou a ser integralmente incorporado ao site.

O fato é que em praticamente todas as linhas de negócios agora é necessário contemplar a concorrência de um marketplace - um ambiente online onde os consumidores vão buscar o produto ou o serviço desejado e onde opiniões e críticas são imediatamente compartilhadas, determinando o sucesso ou o fracasso daquela experiência. Aluguel de carros, hotelaria, moda, prestação de serviços, turismo - o desenvolvimento de alternativas “compartilhadas” está apenas começando.

Por que uma pessoa abre sua casa para estranhos? Ou usa parte do seu tempo dirigindo seu próprio carro à espera de clientes? Por que alguém iria preferir abrir mão de um trabalho com plano de saúde e férias em troca de algo temporário e sem um vínculo empregatício tradicional? Muitos acreditam que a resposta para essas perguntas está em um mercado de trabalho mais difícil, complexo e competitivo - algo que deve ficar ainda mais evidente no futuro.

Será exatamente esse tema - o impacto da tecnologia no mercado de trabalho - que iremos explorar na próxima semana. Quais os efeitos nos indivíduos e na sociedade? Quais os efeitos de curto e de longo prazo? Quais carreiras irão prosperar e quais as carreiras destinadas à automação? As respostas não são simples, mas a importância do tema é inquestionável. Até lá.

*Investidor em novas tecnologias, é Engenheiro de Computação e Mestre em Inteligência Artificial

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