OCDE mantém previsão de alta de 2,5% do PIB do Brasil em 2013

'O aumento do investimento e das exportações líquidas, que tiveram desempenho fraco no passado recente, ressurgiram como as duas principais fontes do crescimento', afirmou a entidade 

Fernando Nakagawa, correspondente da Agência Estado,

19 de novembro de 2013 | 08h17

LONDRES - A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) manteve a previsão de que a economia brasileira crescerá a um ritmo de 2,5% em 2013. A previsão consta do relatório anual OCDE Economic Outlook divulgado em Paris. A estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro é a mesma divulgada em outubro, quando a entidade realizou evento no Brasil. Para 2014, a entidade prevê ritmo ligeiramente mais fraco, com expansão do PIB de 2,2%.

No documento divulgado nesta terça-feira, 19, a entidade avalia que, após o PIB avançar apenas 0,9% em 2012, "a economia começa a crescer na esteira do investimento mais forte". A OCDE também apresentou sua estimativa para o PIB em 2015. De acordo com a entidade, o País deve registrar expansão de 2,5% no ano seguinte à Copa do Mundo.  

No documento, a entidade reconhece que alguns indicadores recentes "apontam para alguma fraqueza". O fenômeno, porém, seria de curto prazo. "O aumento do investimento e das exportações líquidas, que tiveram desempenho fraco no passado recente, ressurgiram como as duas principais fontes do crescimento", diz o texto. Sobre o comércio, a entidade diz que as exportações vão reagir ao real depreciado e ao fortalecimento da demanda global.

Inflação. Diante da atividade mais vigorosa, a entidade chama atenção para o fato de que o Brasil segue sob pressão inflacionária. "Apesar do lento crescimento recente, a pressão inflacionária persiste, o que reflete um mercado de trabalho apertado, estímulos gerados por isenções fiscais e a rápida expansão do crédito nos bancos públicos", diz a entidade. Ainda sobre a demanda, a OCDE nota que o consumo das famílias continua avançando com o desemprego que continua baixo e os salários que seguem em alta", diz o texto.

Nas previsões, a entidade espera que a inflação ao consumidor deve terminar o ano em 5,9%. Em 2014, a expectativa é de desaceleração para 5%. No ano seguinte, porém, os preços voltam a subir com um pouco mais de força e a inflação ao consumidor deve atingir 5,1%, se distanciando novamente do centro da meta de inflação.

Uma sugestão foi dada ao Banco Central. A OCDE diz que a casa precisa atuar para combater a inflação e, assim, não arranhar a imagem da instituição. "O Brasil também tem uma reputação sólida na política monetária com base no sistema de metas de inflação. Vai ser importante continuar a mostrar solução para as pressões inflacionárias", diz o documento.

Deterioração fiscal. Sobre as contas públicas, a OCDE trabalha com a deterioração da política fiscal. Para 2013, a entidade prevê déficit nominal equivalente a 2,6% do PIB. Confirmado, o número é maior que o visto no ano passado, quando o setor público consolidado amargou déficit nominal de 2,47% do PIB. A situação deve piorar ainda mais em 2014, ano de eleições presidenciais, quando a entidade prevê déficit nominal de 2,7% do PIB. O mesmo porcentual deve se repetir em 2015.

A OCDE também anunciou previsões para a conta de transações correntes. O indicador que mede as operações entre o Brasil e o exterior deve terminar com saldo negativo equivalente a 3,6% em 2013, bem mais que o déficit de conta corrente de 2,4% registrado em 2012. Nos próximos dois anos, o rombo deve diminuir: 3,3% em 2014 e 3,2% do PIB em 2015.

O Brasil precisa melhorar a gestão das contas públicas, segundo a OCDE. No documento, a entidade sugere "melhoria na clareza das contas públicas" com corte de incentivos e redução do crédito dos bancos públicos para que o País consolide sua reputação "conquistada a duras penas". Uma sugestão também é feita ao Banco Central: resolver as pressões inflacionárias para manter a reputação na política monetária.

"Olhando para o futuro, a clareza da política fiscal poderia ser melhorada com o ajuste da regra de superávit primário mais sensível ao ciclo econômico, consolidando a supervisão fiscal para monitorar o cumprimento das metas e limitando as operações parafiscais", diz o relatório. "Tais medidas podem construir e solidificar a reputação conquistada à duras penas de uma boa gestão fiscal", completa o documento. Nesta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff afirmou que pretende mudar a regra do superávit primário.

Dólar. O Banco Central do Brasil foi elogiado no relatório da OCDE. Para a entidade, a autoridade monetária brasileira conseguiu reagir de maneira eficiente à recente movimentação do mercado gerada pela perspectiva de mudança na política monetária nos Estados Unidos. "A moeda brasileira se desvalorizou, mas a bem-sucedida oferta de liquidez em dólares pelo Banco Central demonstrou que o Brasil é capaz de estabilizar as expectativas dos investidores em casos de mudanças no ambiente internacional", diz o documento. Ao avaliar a qualidade do fluxo de capitais com direção e origem no Brasil, a entidade afirma que é registrada "entrada de capital que consiste predominantemente em investimento direto estrangeiro". "Sem saídas de capital até o momento", diz o documento.

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