José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Odebrecht vende participação na ConectCar para o Itaú

Gestão da empresa do segmento de pagamento eletrônico de pedágios passa a ser compartilhada entre o banco e o Grupo Ultra

Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

21 Outubro 2015 | 20h42

(Texto atualizado às 21h55)

A Odebrecht Transport, subsidiária do Grupo Odebrecht na área de transporte e logística, assinou ontem um contrato de venda de sua participação na ConectCar para o Itaú Unibanco, por R$ 170 milhões. O negócio foi feito por meio da subsidiária do banco RedeCard S.A., que administra a credenciadora de pagamentos Rede.

A ConectarCar foi criada em novembro de 2012, em parceria com a Ipiranga, do Grupo Ultra, que vinha tentando diversificar seus negócios para além da venda de combustíveis. Na época, as duas empresas investiram cerca de R$ 150 milhões para ter 50% de participação cada uma. A operação da empresa, que atua no segmento de pagamento eletrônico de pedágios, estacionamentos e combustíveis, teve início em 2013.

O negócio assinado com o Itaú Unibanco envolve somente os 50% pertencentes à Odebrecht Transport. Com a venda, a gestão da ConectCar passará a ser compartilhada entre Itaú e o Grupo Ultra.

Concorrência. O negócio foi planejado para desafiar a companhia que até então reinava absoluta no segmento, a Sem Parar, que ainda é a líder deste mercado. Após a ConectCar, surgiram outras companhias, como a AutoExpresso, que começou a operar em 2014.

Segundo comunicado da Odebrecht, desde que foi criada, a ConectCar se tornou a segunda maior empresa do setor, operando em 12 Estados e no Distrito Federal. Na carteira de clientes, contabiliza mais de 500 mil usuários no País. 

Os postos da rede Ipiranga são usados como ponto de venda do ConectCar. Para se diferenciar da principal concorrente, a empresa optou por um modelo pré-pago, mas com cobrança de uma comissão pelo uso. A Sem Parar, por seu turno, cobra uma mensalidade fixa de seus clientes.

Fortalecimento. Com a transação, a empresa vai fortalecer sua estrutura de capital e focar seus investimentos em concessões rodoviárias, mobilidade urbana, aeroportos e em soluções integradas de logística, explica o comunicado. 

Com forte participação nos últimos leilões de concessão, seja de rodovias, aeroportos ou mobilidade urbana, a Odebrecht Transport tem compromissos bilionários para os próximos anos.

O envolvimento do grupo Odebrecht na Operação Lava Jato, que investiga corrupção na Petrobrás, aliado à crise econômica do País, o crédito secou no mercado e afetou diretamente a subsidiária de transportes, que tem elevados investimentos para fazer em obras como a da BR-163, em Mato Grosso; a do Aeroporto do Galeão, no Rio; e a da Linha 6 do metrô, em São Paulo, onde tem parceria com Queiroz Galvão e UTC, também envolvidas nas investigações da Polícia Federal.

Em entrevista ao Estado, o presidente da Odebrecht Transport, Paulo Cesena, afirmou que a empresa sempre faz uma análise de todos os seus ativos para verificar o que é estratégico ou não, e o que pode ser algo de desinvestimento – como ocorre agora com a operação da ConectCar. Mas, de acordo com o executivo, essa sempre foi a estratégia de atuação da empresa, independentemente dos problemas atuais com a Lava Jato.

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