Paulo Giandalia/Estadão
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Odebrecht diz que não quer exclusividade no FI-FGTS

O presidente do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, disse nesta sexta-feira, 30, que não tem pretensão de exclusividade junto ao FI-FGTS, fundo de investimentos em infraestrutura bilionário da Caixa Econômica Federal. Sócio da Odebrecht Ambiental, o fundo estuda realizar um investimento de até R$ 500 milhões ainda este ano na Estre Ambiental, companhia concorrente na área de saneamento.

MARIANA DURÃO, Agencia Estado

30 de maio de 2014 | 19h37

Conforme revelou o Estado, o presidente da Odebrecht Ambiental, Fernando Santos Rei, afirmou em carta enviada ao comando do FI-FGTS que o contrato lhe permite rever cláusulas caso o FI-FGTS invista numa empresa do mesmo setor, o que foi confirmado pelo CEO do grupo. O fundo perderia o poder de decisão sobre os recursos investidos na empresa, cerca de R$ 1 bilhão.

A Estre tem controle compartilhado pelo BTG Pactual, de André Esteves, e o empresário Wilson Quintella Filho. Marcelo Odebrecht minimizou a disputa entre os grupos: "Não existe nenhum conflito entre Odebrecht e BTG. André (Esteves) é meu amigo pessoal", afirmou após participar do Global Infrastructure Initiative, evento realizado pela McKinsey, no Rio.

O executivo foi taxativo ao afirmar que a opção do FI-FGTS por investir na Estre significará a perda de direitos políticos na companhia de saneamento da Odebrecht, tais quais direito a veto de investimentos e acesso a informações estratégicas. "Isso é óbvio e está contratado no acordo de acionistas. Se não estivesse, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) exigiria."

Para Odebrecht, o FI-FGTS vive um "drama" internamente porque tem que precificar a perda desses direitos na Odebrecht Ambiental ao analisar o investimento na Estre. "No momento em que tomarem essa decisão é automático", afirmou o empresário.

De acordo com reportagem publicada pelo Estado, o FI-FGTS decidiu essa semana que vai alterar suas regras para deixar claro seu entendimento de que pode investir recursos em empresas concorrentes, além de definir punição para os grupos econômicos que exigirem exclusividade. A mudança seria uma resposta direta à Odebrecht Ambiental. Uma das punições seria a saída do negócio, com a venda de participação acionária.

Com recursos provenientes do superávit do FGTS, o fundo tem cerca de R$ 27 bilhões em investimentos em infraestrutura. Quase 40% foram destinados a sete grupos econômicos: Odebrecht, Sete Brasil, Vale, OAS, ALL, Alupar e Prumo Logística Global (novo nome da LLX, de Eike Batista), como revelou o Estado. Os negócios do FI-FGTS com esses conglomerados somam R$ 10,5 bilhões.

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