JF Diorio/Estadão
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Bancos vão liberar imediatamente parte dos R$ 2,6 bi para Odebrecht pagar dívida

Dinheiro será usado para pagar até sexta-feira títulos de R$ 500 milhões que venceram no mês passado; o restante virá de uma emissão de debêntures

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2018 | 14h36

Os bancos vão liberar imediatamente parte do empréstimo de R$ 2,6 bilhões para a Odebrecht pagar até sexta-feira os títulos de R$ 500 milhões vencidos no mês passado, apurou o Estado. O acordo, que envolve a  emissão de debêntures, foi fechado na segunda-feira, mas a assinatura do contrato que envolve muitos documentos deve terminar até o fim desta .  O resto do dinheiro sairá após a emissão das debêntures. 

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O novo empréstimo será concedido por Bradesco e Itaú, sendo que cada instituição vai conceder 50% do montante em duas parcelas: uma de R$ 1,7 bilhão e outra de R$ 900 milhões, com garantias de ações da Braskem. Apesar de o novo empréstimo ser concedido por Bradesco e Itaú, o acordo todo envolveu Banco do Brasil, Santander e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - credores da empresa. 

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Durante as negociações, os cinco bancos divergiram sobre as condições do acordo. O principal entrave era a prioridade no recebimento das garantias (das ações da Braskem) no eventual caso de a empresa quebrar. Bradesco e Itaú queriam ter a preferência das garantias, já que iam liberar recursos novos para o grupo. O Banco do Brasil, porém, não concordou em abrir mão da prioridade e acabou travando as negociações, o que foi superado pela divisão do empréstimo em duas parcelas. Dessa forma, BB continuou com prioridade nas garantias na primeira tranche do empréstimo.

O acordo, no entanto, vai além da concessão do crédito novo. Nas negociações, o grupo conseguiu alongar as dívidas que venceriam nos próximos dois anos. A medida dá fôlego à empresa, que vive uma grave crise financeira desde que virou o centro da Operação Lava Jato - o maior escândalo de corrupção do País.

Para conseguir acertar o negócio, a Odebrecht teve de comprometer uma parte expressiva da fatia que detém na Braskem. Hoje sua participação na petroquímica equivale a R$ 14,7 bilhões, sendo que quase R$ 12 bilhões foram dados como garantia do negócio. Dos R$ 7 bilhões de dívidas que tiveram os prazos alongados pelo novo acordo, R$ 3 bilhões passaram a ter garantia dos papéis da Braskem.

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