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Odebrecht Energia vende eólicas para Grupo NC

Negócio envolve um complexo de parques eólicos no Rio Grande do Sul, de 108 MW; ativos receberam investimentos de R$ 400 milhões

Cynthia Decloedt, Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2016 | 05h00

Em mais um movimento para fazer caixa e reduzir o endividamento, a Odebrecht anunciou ontem a venda da unidade de energias alternativas para o Grupo NC, dono da farmacêutica EMS. A transação envolve o Complexo Eólico Corredor do Senandes, formado por quatro parques eólicos de 108 megawatts (MW), uma subestação e uma linha de transmissão de 48 quilômetros (km), no Rio Grande do Sul.

O valor da venda não foi divulgado, apenas o total de investimento nos ativos, de R$ 400 milhões. Segundo fontes do mercado, considerando a dívida de R$ 250 milhões do complexo, a transação rendeu ao caixa da Odebrecht algo em torno de R$ 150 milhões. A unidade era um braço da Odebrecht Energia, que tem 13 projetos eólicos, de 330 MW, para ser instalado no Rio Grande do Sul e no Ceará.

Além disso, o grupo detém fatia de 28,6% na Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira (RO), que também está à venda. Em nota, a Odebrecht afirmou que a operação está de acordo com o “programa de alienação de ativos e desalavancagem da empresa que visa a reciclagem de capital, reforço do caixa e a redução do endividamento consolidado do grupo”.

Com a capacidade de financiamento limitada desde a prisão de seu principal executivo, Marcelo Odebrecht, há 15 meses, o Grupo trabalha na venda de ativos e renegociação da dívida para continuar operando e evitar um processo de recuperação judicial. A empresa pôs à venda várias operações de concessões fora do Brasil e, entre outros ativos, a Odebrecht Ambiental.

Em julho, o grupo concluiu a renegociação de um passivo de R$ 11 bilhões da Odebrecht Agroindustrial, envolvendo aporte de R$ 6 bilhões da Odebrecht S.A. Pouco antes, vendeu a participação de uma subsidiária da Odebrecht Transport na ViaRio para a CCR, por R$ 107,69 milhões.

Hoje os maiores esforços estão nas negociações da Odebrecht Óleo e Gás (OOG) com detentores de títulos para reestruturar uma dívida de US$ 3,7 bilhões e evitar que esses investidores peçam o vencimento antecipado desse compromisso. Paralelamente, a empresa negocia com a Petrobrás contratos que possam sustentar o fluxo de compromissos dessa dívida. A OOG tem em aberto com esses credores os juros de US$ 550 milhões de bônus perpétuos, no montante de US$ 9,6 milhões.

Diversificação. Com a transação anunciada ontem, o complexo eólico passa a ficar sob a marca de negócios NC Energias Renováveis. Em nota, o grupo afirma que a aquisição reforça a proposta de diversificação dos negócios. Além da farmacêutica EMS, a empresa comprou em março deste ano 100% das operações de mídia do Grupo RBS, em Santa Catarina.

“Esses ativos fazem parte da estratégia de crescimento do Grupo NC. Acreditamos que a energia eólica, ao lado de outras fontes renováveis terá papel cada vez maior na matriz energética brasileira”, afirma o presidente do Conselho de Administração do Grupo NC, Carlos Sanchez, em nota.

A efetivação da transação de compra está condicionada à aprovação dos órgãos competentes, principalmente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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