Odebrecht|Divulgação
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Odebrecht escolhe novo presidente

Luciano Guidolin, de 44 anos, começou na empresa como estagiário e terá missão de ‘virar a página’ da empresa após a Operação Lava Jato

Josette Goulart, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2017 | 16h12

O grupo Odebrecht anunciou nesta sexta-feira, 12, que o executivo Luciano Guidolin vai assumir a presidência do grupo, substituindo Newton de Souza, que passará a ser vice-presidente do conselho de administração. Guidolin, de 44 anos, fez toda sua carreira no grupo. Ele começou como estagiário, em uma das empresas que deram origem à Braskem, braço petroquímico do grupo.

Em um momento em que a Odebrecht tenta mostrar que “virou a página”, depois dos escândalos de corrupção ligados à Operação Lava Jato, a escolha do executivo segue a cartilha tradicional do grupo: a de promover à liderança pessoas que já estão dentro dos quadros da própria companhia.

Guidolin se encaixa perfeitamente no perfil: passou 12 anos na Braskem, onde foi de estagiário a diretor. Depois, foi diretor financeiro da ETH – atual Odebrecht Agroindustrial – e teve uma passagem como vice-presidente de finanças na holding Odebrecht. Após isso, voltou à petroquímica Braskem, onde ficou por mais cinco anos. No início deste ano, tornou-se vice-presidente de investimentos da Odebrecht.

Por conta do momento do grupo, havia uma expectativa no mercado de que o novo presidente poderia vir de fora dos quadros da empresa. Mas a decisão acabou mesmo sendo por uma transição interna.

Como presidente, o desafio de Guidolin será mudar a área de compliance do grupo, seguindo regras estabelecidas em acordo com o Departamento de Justiça (DoJ) americano para tentar evitar novos casos de corrupção. A Odebrecht terá de pagar US$ 3 bilhões em multas aos governos brasileiro, americano e suíço, além de arcar com valores que ainda vai acertar com outros países que investigam as práticas da companhia.

Ascensão. Segundo apurou o Estado, Guidolin não estaria, até pouco tempo atrás, na lista dos candidatos a presidente do grupo. No entanto, com o aumento do número de executivos envolvidos – e presos – na Operação Lava Jato, ele se tornou um dos preferidos para assumir o lugar de Newton de Souza. Nos últimos meses, o executivo vinha sendo preparado para o cargo. Era um dos poucos que participavam de todas as reuniões com Souza. Além disso, fazia parte de cinco conselhos de administração das empresas da Odebrecht.

Engenheiro. Dentro da Odebrecht, Luciano Guidolin sempre foi visto como um “geniozinho”. Formou-se na Escola Politécnica da USP como terceiro melhor aluno do curso de engenharia de produção e fez MBA em administração em Harvard, nos Estados Unidos.

Segundo fontes que já trabalharam com o executivo, Guidolin é ponderado e tem uma cultura de ouvir mais antes de tomar decisões – considerada uma postura ideal para o atual momento de negociações entre acionistas e credores. “Por ter atuado em vários setores, tem uma visão operacional e financeira do grupo”, afirmou uma fonte.

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