Pilar Olivares/Reuters
Pilar Olivares/Reuters

Oferta da Eletrobras deverá captar R$ 8 bilhões em recursos de pessoas físicas

Do total arrecadado com o ‘consumidor comum’, R$ 5 bilhões deverão vir de recurso do FGTS e o restante, de compras diretas; oferta deve ultrapassar os R$ 30 bilhões

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2022 | 12h15

As pessoas físicas deverão marcar presença maciça na megaoferta de ações da Eletrobras, operação que marcará a privatização da estatal de energia. Com a possibilidade do uso do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS), a estimativa é de que a participação do varejo chegue a R$ 8 bilhões, de um total de mais de R$ 30 bilhões previstos para a oferta. O período para reserva de ações começa no próximo dia 3 e vai até o dia 8. A definição do preço do papel será no dia 9.

A forte participação dos investidores pessoas físicas terá impulso do FGTS. Os investidores poderão utilizar até 50% do saldo de suas contas. O prospecto da oferta de ações limita também que o uso do FGTS não ultrapasse o total de R$ 6 bilhões. A expectativa entre os bancos que coordenam a operação, porém, é de que esse grupo compre até R$ 5 bilhões. Somado a esse montante, outros R$ 3 bilhões, ou 10% da oferta, deverão vir de dinheiro de pessoas físicas não vinculado ao fundo.

A expectativa é de uma demanda bastante robusta, algo que à primeira vista pode parecer contraditório diante de um contexto de um mercado fraco e de muita aversão ao risco.  Mas os investidores acreditam que a empresa de energia terá uma forte valorização em Bolsa após a desestatização, um movimento muito aguardado. Por isso, muitos fundos de ações estão vendendo papéis de empresas do mesmo setor para ter dinheiro para investir na oferta, disse uma fonte.

Forte apetite

Prova dessa estimativa  é de que grandes investidores mostraram apetite, antes da oferta ser lançada, para comprar R$ 30 bilhões em ações – ou seja, praticamente o total ofertado, apurou o Estadão. No entanto, os bancos que assessoram a oferta limitaram que os chamados fundos âncoras ficassem no máximo com metade do volume, ou seja, R$ 15 bilhões, com “cheque” mínimo de R$ 1,5 bilhão. 

Do restante da oferta, um volume entre R$ 3 bilhões e R$ 5 bilhões deverá ficar na carteira dos investidores prioritários, como os atuais acionistas minoritários. Na oferta, a União terá sua fatia reduzida para menos de 50% do total das ações. A ideia é que a participação do governo e do BNDES caia dos atuais 60% para cerca de 33%.

O modelo da privatização é o mesmo do que foi utilizado pela antiga BR Distribuidora, que antes pertencia à Petrobras (o negócio foi rebatizado de Vibra). Empregados e aposentados pela Eletrobras também poderão comprar ações. 

Pontos de atenção

Em uma agenda intensa de reuniões com o mercado, um dos pontos centrais das discussões tem sido a situação de Furnas, porque essa é uma condição precedente para o andamento do processo de privatização. É necessário que investidores que possuem papéis da dívida de Furnas (chamados de debenturistas) aprovem um aporte da empresa na Santo Antônio Energia. 

A conclusão da assembleia relativa ao assunto foi adiada para o próximo dia 6, na segunda-feira, data máxima para que esse imbróglio seja resolvido. No entanto, segundo gestores de fundos que participaram das reuniões, esse não é um risco relevante para o processo.

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