Nacho Doce/Reuters - 27/7/2017
Nacho Doce/Reuters - 27/7/2017

Oferta de ações de R$ 6,6 bilhões pode dar mais força à Marfrig na BRF

Frigorífico de Marcos Molina já é o maior acionista da gigante dos alimentos, com 31,7% de participação e agora se movimenta para conseguir assumir o controle do negócio

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2021 | 15h30

A BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, anunciou nesta sexta-feira, 17, uma megaoferta de ações, que poderá girar até R$ 6,6 bilhões. A transação ainda precisará ser aprovada pelos acionistas da empresa, em assembleia marcada para o dia 17 de janeiro. O mercado já aposta que a Marfrig, de Marcos Molina, poderá aproveitar o evento para ser o grande comprador dos papéis da operação. Com isso, a Marfrig ganharia mais poder dentro da companhia – seria uma forma de a empresa atingir o controle do negócio sem ter de pagar um prêmio de preço por isso.

Neste ano, a Marfrig avançou significativamente no capital da BRF, por meio de diversas operações. Desta forma, já se tornou a principal acionista da companhia, com 31,66% de participação. Molina nunca escondeu o interesse de avançar no capital da BRF, que há anos não possui um controlador. 

“Nunca pensamos que a Marfrig seria apenas um acionista passivo da BRF. A empresa tem um longo histórico de negócios agressivos e transformadores em  fusões e aquisições, o que sempre apontou para uma agenda maior a caminho”, segundo analistas do BTG Pactual, em relatório. No documento enviado a clientes, os profissionais afirmam que é natural esperar que, nesse aumento de capital, a Marfrig compre ações para não ser diluída no processo. 

Antes do avanço da Marfrig sobre a BRF via Bolsa, as empresas chegaram a anunciar um acordo para juntar suas operações, em 2019. Na época, BRF e Marfrig concordaram em um prazo de 90 dias para uma combinação que criaria uma gigante global com mais de cem fábricas. No entanto, cerca de 40 dias após o anúncio, as empresas anunciaram conjuntamente a desistência do negócio.

Driblando a 'pílula do veneno'

No estatuto da BRF há um item, comum nas empresas de capital aberto com controle pulverizado, que vinha travando um avanço ainda maior da Marfrig: a chamada “pílula de veneno” (poison pill, do inglês). Esse instrumento, criado para proteger acionistas minoritários, prevê que um acionista que ultrapassar a participação de 33,33% na BRF seja obrigado a lançar uma oferta de aquisição de ações para o restante da base acionária.

Além de ter de fazer essa grande compra, esse novo sócio precisaria pagar um prêmio de 40% em relação à cotação média da ação da BRF de 30 dias ou 120 dias – valendo o maior valor. No cálculo do BTG esse prêmio seria na casa de R$ 18 bilhões, valor que a Marfrig não estaria disposta a pagar.

No entanto, uma brecha surgiu com a oferta de ações, já que existe uma exceção à regra. Se um acionista passar esse limite de 33,33% por meio de uma oferta de ações, esse instrumento não é acionado, o que abre a porta para o avanço da Marfrig na BRF. 

“Portanto, este anúncio pode ser uma forma de matar dois pássaros com apenas uma pedra: para atender à necessidade da BRF de desalavancagem (redução do endividamento), ao mesmo tempo que permite à Marfrig exercer maior controle sobre a BRF, ainda mais no caso de uma futura incorporação”, ainda de acordo com o BTG. 

O mercado parece ver a operação como um “ganha-ganha”. A oferta de ações seria apenas primária, para injetar recursos no caixa da BRF e ajudá-la a reduzir seu endividamento. As ações da BRF chegaram a subir 11% na manhã de hoje, após o anúncio. Há pouco, subiram um pouco mais de 4%. Já as ações da Marfrig ganhavam 4,6%.

 

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