Oficinas mecânicas especializadas e lojas virtuais: duas apostas para você empreender em 2015

Inovação aplicada nestes dois setores vai permitir a geração de oportunidades de negócios, dizem especialistas

Bruno de Oliveira, especial para O Estado

10 Dezembro 2014 | 18h35

O ano nem sequer começou e já pairam sobre o período duvidas que anunciam forte turbulência no caminhos das empresas, resultado do baixo desempenho que a economia do País obteve neste ano. Entretanto, é comum ouvir no mundo corporativo que muitas oportunidades surgem justamente nos momentos de crise.

Nos próximos cinco dias, serão publicadas no Estadão PME reportagens que têm como objetivo mapear novos negócios e nortear os planos das pequenas e médias empresas para o ano que vem. A primeira e a segunda delas vão falar de oportunidades de negócios. E para os consultores do Sebrae-SP e empreendedores, a aposta deve estar baseada na inovação, com destaque para sua aplicação nos mercados de reparação de veículos e comércio eletrônico.

"2015 será um ano de grandes desafios. No entanto, o empreendedor que apoiar seu negócio na inovação e nas boas práticas de gestão vai conseguir se destacar mesmo dentro de um cenário adverso. Olhar para novos mercados também é uma opção interessante. Manutenção e reparos de automóveis e vendas online são segmentos que vem se destacando em termos de oportunidades de negócio", conta Letícia Aguiar, consultora do Sebrae-SP.

REPARAÇÃO DE VEÍCULOS

Tradicional e maduro, o segmento de manutenção automotiva hoje é composto por 100 mil estabelecimentos em todo Brasil. Embora seja um universo amplamente explorado, ainda há espaço para aqueles que buscam empreender no setor. Para 2015, especialistas indicam que o caminho em direção às oportunidades nesta área será por meio da revolução tecnológica pela qual os veículos passam atualmente.

"Com a chegada dos componentes eletrônicos aos carros populares, o mercado vive uma espécie de transformação em sua cadeia produtiva", diz Lia Cairo, coordenadora do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi). "Isso vai demandar oficinas especializadas e profissionais capacitados para operar em circuitos e equipamentos eletrônicos", completa.

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Uma das oficinas que apostaram nesta nova realidade do mercado foi a Rod Action Mecânica, da cidade de Pinhais, no Paraná. Celso Cordeiro, o proprietário do estabelecimento, conta que atuar em um nicho especializado aumentou o seu faturamento. "Ser especialista te permite cobrar um preço diferenciado porque o serviço tem um alto valor em função das ferramentas que você utiliza e até por atuar em um mercado com pouca concorrência", explica Cordeiro.

Apostar em nichos dentro do setor automobilístico também pode render boas oportunidades de negócios aos empreendedores que planejam investir em oficinas de reparação em 2015.

O que começou como um hobby para Osmani Souza acabou virando a Lambretta D'Época, uma oficina localizada na cidade de São Paulo e especializada em restauração de motocicletas italianas antigas. Embora não sejam mais fabricadas, a demanda atendida por Souza é composta por colecionadores que o procuram para o reparo das peças e funilaria.

"Trabalho com uma tecnologia que parou no tempo. Tenho que agregar valor ao meu serviço por meio do atendimento e do know-how do equipamento que possuo. Quando se trata de um público específico, o trabalho se destaca pela qualidade da entrega", finaliza.

E-COMMERCE

O comércio eletrônico é um dos setores mais promissores para empreender no País. As razões para isso são duas: um mercado explorado em apenas 50% da sua capacidade e o aumento da popularização do consumo via internet.

Os números registrados e as projeções feitas para o setor são animadoras e demonstram que ainda há muito onde crescer. Dados do E-bit dão conta de que o segmento deve fechar 2014 com faturamento de R$ 35 bilhões, 21% superior ao volume registrado em 2013.

As principais oportunidades estão nas vendas de artigos de vestuário e também de itens que, embora ainda não tenham um volume grande de vendas, passam por um crescimento acentuado nos últimos anos.

"O setor cresce a uma taxa de 20% ao ano e deve seguir assim até 2020. Moda e cosméticos são os produtos mais vendido, mas remédios e materiais de construção são artigos que vem sendo bastante comercializados", conta Paulo Régis Moreira, gerente de E-commerce da BigOne.

Para Pedro Guasti, diretor-Executivo da consultoria, a Copa do Mundo foi importante para o desempenho positivo deste ano. Contudo, o setor seguirá crescendo independentemente de eventos pontuais que costumam aquecer as vendas pela internet, como Natal e Dia das Mães.

"O e-commerce está conseguindo atrair cada vez mais o consumidor devido as facilidades oferecidas pelo canal. As promoções na época da Copa do Mundo ajudaram a tornar ainda mais popular a compra pela internet, mas o crescimento não ficará restrito às sazonalidades", explica Guasti.

Apesar do espaço que existe para ser explorado no mercado nacional, ainda existem no o e-commerce certos desafios que exigem dos empreendedores estratégias de negócios específicas para o mundo online.

"Muitas lojas virtuais acabam morrendo porque o empreendedor não consegue visualizar as diferenças de gestão que existem entre o mundo real e o online", explica Moreira, da BigOne. 

"Por ser um mercado novo, ainda falta conhecimento entre as PME. O empresário faz a gestão do canal da mesma forma que na loja física, mas os métodos são diferentes e também os resultados. É um erro grave", completa.SERVIÇO

Feira do Empreendedor

Local: Pavilhão Anhembi Parque

Endereço: Avenida Olavo Fontoura, 1209 - Santana, São Paulo/SP

Data: de 07 a 10 de fevereiro

Sábado a terça-feira: das 10h às 21h 


 

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