OGX ainda depende de dinheiro de Eike

Petrolífera fechou o primeiro trimestre com um prejuízo de R$ 804 milhões

Mariana Durão - da Agência Estado,

10 de maio de 2013 | 20h37

Com um prejuízo de R$ 804 milhões no primeiro trimestre, a OGX valeu-se do acordo fechado de venda de ativos com a Petronas para minimizar a desconfiança do mercado financeiro. O discurso, porém, não foi suficiente para desviar a preocupação dos investidores sobre a solidez da petroleira.

"É sempre bom saber que temos a opção de obter US$ 1 bilhão de Eike", admitiu ontem o diretor financeiro e de Relações com Investidores da petroleira, Roberto Monteiro, em teleconferência, depois de ser questionado por analistas. Até abril de 2014, a OGX pode acionar uma "put" (opção de venda) e, com isso, receber uma injeção de US$ 1 bilhão do acionista controlador, Eike Batista.

Pelos cálculos de Monteiro, o limite para acionar a put seria um caixa mínimo de US$ 100 milhões. "A transação de `farm out'' (venda de participação em blocos exploratórios) nos dá muito espaço no nosso fluxo de caixa. (...) Vender parte de um campo é uma prática normal e deveríamos fazer isso antes de optar pelo put", avaliou.

Esta semana, a OGX anunciou a venda, por US$ 850 milhões, de 40% dos blocos BM-C-39 e BM-C-40, no campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos. O presidente da OGX, Luiz Carneiro, abriu a teleconferência, garantindo que a parceria com a Petronas prova a "qualidade e a atratividade" dos ativos da companhia.

"(O negócio) assegura que poderemos continuar desenvolvendo nosso portfólio", afirmou o executivo. Apesar da operação, analistas continuam céticos e prevendo a necessidade de Eike aportar mais recursos na companhia. Em parte porque apenas US$ 250 milhões do pagamento da Petronas serão desembolsados de imediato. A liberação dos restantes US$ 600 milhões serão parceladas e condicionadas ao desempenho de produção. A estatal malaia cercou-se de extremo cuidado ao fechar o negócio.

Quando foi retirado o primeiro óleo do campo, irá liberar US$ 500 milhões e o resto seguirá um cronograma de desempenho: US$ 50 milhões com o atingimento de uma produção total agregada de 40 mil barris/dia; US$ 25 milhões ao chegar a 50 mil barris/dia; US$ 25 milhões com o atingimento de uma produção agregada de 60 mil barris/dia.

A OGX vem enfrentando dificuldades e deverá ter a produção de petróleo do próximo trimestre prejudicada por problemas ocorridos em março - e ainda não normalizados - em três poços do campo de Tubarão Azul, na Bacia de Campos. Os analistas Frank McGann e Conrado Vegner, do Bank of America Merrill Lynch, afirmaram em relatório que "apesar do melhor desempenho (de geração de caixa) no primeiro trimestre, problemas contínuos en três poços offshore devem se traduzir em fluxo de caixa menor no segundo trimestre".

O J.P Morgan também cita os problemas operacionais e afirma que, apesar dos ganhos com a venda para a Petronas, ainda haverá necessidade de mais fluxo para cobrir os investimentos e dívidas financeiras da empresa. "Mantemos no nosso modelo o exercício da `put'' de US$ 1 bilhão do controlador a R$ 6,30 (por ação), que em nossa visão era uma estratégia melhor do que vender 40% de seu melhor ativo". O alemão Deutsch Bank e o americano Bank of America também destacaram a probabilidade de exercício da ''put''.

Os papéis ordinários (ON) da OGX fecharam nesta sexta-feira em baixa de 1,21%, a R$ 1,63, em resposta ao fraco resultado nos três primeiros meses do ano. O Deutsche Bank divulgou um preço-alvo de apenas R$ 0,80 para as ações da petroleira, uma desvalorização de 51% em relação ao fechamento desta sexta-feira. O Bofa Merrill Lynch reiterou a cautela com a empresa e em função de riscos de financiamento, performance dos atuais ativos e incertezas sobre volumes e custos de campos em desenvolvimento. O Banco do Brasil Investimentos está revisando o preço-alvo para as ações da OGX.

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