OGX anuncia início da produção de Tubarão Martelo

A OGX, petroleira do Grupo EBX, de Eike Batista, anunciou nesta quarta-feira que começará a produção no campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos, com a chegada da FPSO (navio plataforma) OSX-3 e a ligação de um poço ao equipamento. Até abril de 2014, mais três poços serão perfurados, com a previsão de chegar a produzir entre 20 mil e 30 mil barris de petróleo por dia. As perspectivas foram apresentadas pelo gerente executivo de reservatórios e reservas da OGX, Armando Ferreira.

VINICIUS NEDER, Agencia Estado

22 de maio de 2013 | 19h09

O campo de Tubarão Martelo teve uma fatia de 40% vendida para a petroleira malaia Petronas, por US$ 850 milhões, em anúncio feito no início do mês. A OGX permaneceu como operadora das áreas. Segundo Ferreira, a entrada do sócio não acelerou a produção. "Foi um aporte de interesse deles. O projeto é bom", disse o executivo a jornalistas, após participar de evento na sede do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), no Rio.

Segundo Ferreira, o plano de desenvolvimento da área de Tubarão Martelo segue os trâmites normais de aprovação pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Respostas aos questionamentos da agência foram enviadas pela OGX e a aprovação pela ANP sairá "em breve".

O acordo com a estatal da Malásia prevê uma opção de compra de 5% do capital total da OGX a um preço de R$ 6,30 por ação. A transação ficará sujeita à aprovação também pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O negócio representou alívio para o caixa da OGX no curto prazo. No entanto, à época do anúncio, analistas do banco Morgan Stanley avaliaram em relatório que a transação não resolve as necessidades de longo prazo da companhia.

A produção de petróleo da OGX está no cerne do inferno astral das companhias abertas de Eike. Tudo começou quando a OGX divulgou um potencial de reserva muito abaixo do esperado para o poço de Tubarão Azul, em junho do ano passado.

O anúncio decepcionou o mercado financeiro, que passou a olhar com desconfiança para as previsões das empresas do grupo. Como consequência, as cotações das ações tanto da OGX quanto das demais empresas derreteram na Bolsa, a ponto de deixar as companhias com dificuldades para se financiar.

Segundo um analista de mercado ouvido pelo Grupo Estado, as projeções da OGX já não são levadas integralmente em consideração pelo mercado, depois das decepções e de a empresa ter criado uma "inflação de expectativas" antes de começar a produzir. Por causa do acordo com a Petronas, o campo de Tubarão Martelo está mais no radar do que o campo de Tubarão Azul, onde houve frustrações maiores.

Nesta quarta-feira, Ferreira também informou que o poço OGX-68HP, no campo de Tubarão Azul, voltou a produzir. "O 68 entrou, se não me engano, na semana passada". Em abril, a produção média de Tubarão Azul despencou 78% em relação a março, com interrupções nos poços OGX-68HP e TBAZ-1HP, por conta de problemas operacionais, e da paralisação por 14 dias da produção do OGX-26HP.

A retomada da produção no poço OGX-26HP já havia sido anunciada. O TBAZ-1HP segue parado, à espera de reparos. Com isso, a OGX está com dois poços operantes em Tubarão Azul, com produção de 10 mil barris de petróleo por dia.

Ferreira informou ainda perspectivas para gás natural. A produção na Bacia do Parnaíba deverá atingir 5,5 milhões de metros cúbicos por dia até dezembro e chegará a 7,8 milhões de m³/dia entre março e julho de 2014. Esse é o nível de produção para atender contratos com usinas de geração termelétricas.

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