OGX tem novo fôlego após venda de 40% de campo

A OGX, petroleira de Eike Batista, iniciou esta quarta-feira com novo fôlego no desempenho de suas ações na BM&FBovespa, após a confirmação, na noite desta terça-feira, 7, da venda de 40% do campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos, para a malaia Petronas, por US$ 850 milhões. A estatal da Malásia comprou parte dos blocos BM-C-39 e BM-C-40, que contêm, além do campo, as acumulações de Peró e Ingá. O acordo prevê ainda uma opção de compra de 5% do capital total da OGX a um preço de R$ 6,30 por ação.

BETH MOREIRA E CYNTHIA DECLOEDT, Agencia Estado

08 de maio de 2013 | 20h21

Os papéis da OGX chegaram a registrar alta de mais de 9%, situando-se entre os melhores desempenhos da bolsa ontem, com mais de 22 mil negócios. Mas, ao longo do dia, inverteram a posição e, depois de caírem 10% em relação ao preço referencial de R$ 2,06, encerraram o pregão com queda de 4,62% em relação ao fechamento de ontem, para R$ 1,86.

O comportamento dos investidores indica o ceticismo do mercado em relação ao efeito do acordo no caixa da empresa. Um operador disse que um sinal da contínua desconfiança dos investidores em relação à companhia é o volume de posições vendidas, que corresponde a 30% das ações em flutuação no mercado (free float). "O mercado não está convencido", disse. "Os US$ 850 milhões não são suficientes para resolver os problemas financeiros da empresa e não está claro como e quando esses recursos chegarão à OGX", acrescentou.

A transação, que ainda está sujeita à aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), foi fechada com algumas imposições da estatal malaia, que vinculou boa parte do pagamento à produção do campo de Tubarão Martelo. OGX permanece como operadora das áreas.

O negócio representou alívio para o caixa da OGX no curto prazo, mas não resolve as necessidades da petroleira de Eike Batista no longo prazo, avaliou o banco Morgan Stanley. Em relatório, os analistas Bruno Montanari e Guilherme Bellinetti afirmam que o comunicado sobre o acordo com a Petronas não faz menção aos termos para o pagamento dos US$ 850 milhões pela petroleira da Malásia à OGX.

"O valor estimado implícito de US$ 10 por barril de óleo equivalente (boe) está 23% abaixo do nosso valor justo de US$ 13,1/boe", dizem os analistas. Eles ressaltam que o último relatório feito pela DeGolyer and MacNaughton, em fevereiro de 2012, apontou que os recursos contingentes no campo de Tubarão Martelo eram de 212 milhões de barris, abaixo da expectativa da OGX de 285 milhões de barris para os volumes recuperáveis na área quando declarou sua comercialidade em abril do ano passado.

"Esperamos que o acordo com a Petronas poderá vir junto com uma confirmação ou revisão do volume recuperável para o campo e acreditamos que a incerteza em relação a volumes e produtividade continuará a se sobressair", dizem os analistas do Morgan Stanley, que mantêm a recomendação "equal weight" (manter) para as ações da OGX.

Em relatório, o banco JP Morgan ressaltou que o acordo traria para junto da OGX um parceiro com capacidades técnicas reconhecida, confirmando a atratividade de Tubarão Martelo, apesar do desempenho negativo de produtividade de Tubarão Azul. Os analistas Caio M. Carvalhal e Felipe dos Santos, do JPMorgan, calculam o valor do negócio em US$ 10 o barril de óleo equivalente para as duas áreas. "O valor é menor do que os US$ 13 estimados para os recursos totais, mas considerando a situação financeira da empresa, o negócio ajuda a aliviar os problemas financeiros no curto prazo", afirmam. O BB-BI também avaliou o negócio como benéfico para a OGX. Para a corretora, a OGX deve se beneficiar da parceria com uma petroleira que possui balanço consistente e expertise, além de readequar seu fluxo de caixa com a venda de ativos.

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