Oi espera definição de regras para entrada no leilão 4G

A Oi ainda não bateu o martelo sobre sua participação no leilão telefonia móvel de quarta geração (4G), previsto para maio. O presidente da companhia, Francisco Valim, revelou que a Oi aguarda a definição pelo governo das regras do leilão para então definir sua presença na disputa.

MÔNICA CIARELLI E MARIANA DURÃO, Agencia Estado

30 de março de 2012 | 10h41

"As regras do jogo precisam ficar claras para que possamos definir nossa participação. Normalmente, as empresas participam de um leilão como este", afirmou o presidente da tele.

Segundo Valim, o edital colocado em audiência pública apresenta uma "complexidade grande" e por isso a companhia prefere esperar uma maior clareza antes de se posicionar sobre o tema. Entretanto, Valim ressaltou que as frequências a serem licitadas são importantes e poderiam complementar o portfólio do grupo. "A lógica indica que sim (participaremos). Mas as regras são importantes para determinar o entusiasmo e o escopo", completou.

Despesas financeiras

A queda de 48,9% no lucro líquido da Oi S.A em 2011, para R$ 1,005 bilhão, foi resultado do aumento de despesas financeiras realizado no intuito de preparar a então Brasil Telecom para a reestruturação societária. "Fizemos emissão em reais e duas debêntures para gerar o caixa necessário para pagar dividendos, direito de recesso e o capex (investimento) da Oi S.A", disse o diretor de Finanças e RI da Oi, Alex Zornig, em teleconferência com jornalistas.

Segundo Zornig, as despesas subiram R$ 600 milhões, de R$ 130 milhões para R$ 700 milhões.

No relatório de desempenho da companhia consta que o resultado financeiro líquido foi uma despesa de R$ 36 milhões, ante cifra positiva de R$ 8 milhões no quarto trimestre de 2010 e R$ 204 milhões no terceiro trimestre de 2011, decorrente de aumento na rubrica "outras despesas financeiras", por uma reversão de atualização monetária sobre depósitos judiciais.

Direito de recesso na reestruturação

A Oi desembolsará R$ 2 bilhões para o pagamento do direito de recesso referente à reestruturação societária aprovada em 27 de fevereiro, informou o diretor de finanças e Relações com Investidores, Alex Zornig. O prazo para o exercício do direito de retirada terminou ontem.

Desse total, R$ 500 milhões se referem a ações da TNL e R$ 1,5 bilhão da TMAR. O pagamento ocorrerá em 9 de abril, em Assembleia Geral Ordinária (AGO).

De acordo com Zornig, os números preliminares apontam que o valor corresponde a 39 milhões de ações das duas empresas, chegando a 50% do que poderia ser retirado.

O executivo destacou que a empresa gerou caixa suficiente para arcar com essas despesas. "Nosso caixa consolidado é um ''caixão'' de R$ 13 bilhões", disse.

A Oi ainda está estudando o destino das ações, mas descarta sua venda. "A única coisa que não vamos fazer é depreciar o valor de mercado das ações", afirmou Zornig.

O porcentual exercido de direito de recesso ficou bem abaixo do pior cenário esperado pela Oi. Em entrevista logo após a aprovação da reestruturação, em fevereiro, Zornig disse acreditar que 90% dos acionistas com direito de recesso poderiam solicitá-lo. Caso esse cenário, o mais negativo na avaliação da companhia, se confirmasse, a empresa teria que desembolsar R$ 3,5 bilhões para comprar as ações dos acionistas que não concordassem com a operação.

Teve direito de recesso o acionista de Telemar e Telemar Norte Leste que manteve as ações de forma ininterrupta desde o encerramento do pregão de 23 de maio do ano passado até a data da efetiva retirada. As ações adquiridas a partir de 24 de maio de 2011, data do anúncio da proposta de reestruturação, não teriam esse direito.

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