Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Oi quer Amos Genish, ex-Vivo, como presidente

Atuais acionistas da operadora brasileira, em recuperação judicial desde junho de 2016, buscam um nome forte do mercado para conduzir a reestruturação da companhia; tele está em processo de revisão de estratégia e vai vender ativos

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2019 | 04h00

O executivo israelense Amos Genish foi procurado pela operadora Oi para presidir a tele brasileira, apurou o Estado com fontes a par do assunto. Não é a primeira vez que Genish, fundador da GVT (vendida para a Telefônica por R$ 22 bilhões) e ex-presidente da Vivo e da Telecom Itália, é sondado pela companhia, em recuperação judicial desde junho de 2016.

Os acionistas da tele brasileira estão em busca de um nome forte no mercado de telecomunicação para conduzir o processo de reestruturação da empresa. A operadora, que viveu um longo período de sangria financeira – a tele entrou com pedido de proteção na Justiça, com dívidas declaradas de R$ 65 bilhões –, tem tentado estancar a crise mais aguda pela qual passa.

O nome de Genish ganhou força no fim do ano passado, quando o executivo foi afastado da presidência da Telecom Itália, dona da TIM no Brasil. A saída de Genish da tele italiana ocorreu porque o fundo americano Elliott, que se tornou um dos principais acionistas da operadora, ganhou mais assentos no conselho e exigiu mudanças na cúpula da tele.

Pessoas próximas a Genish confirmaram que o executivo foi procurado pela Oi, mas afirmaram que, por ora, ele descarta o convite. Afastado da presidência da Telecom Itália em novembro passado, Genish voltou a exercer funções executivas na Vivendi e é membro do conselho da Telecom Itália. Fundador da operadora GVT, vendida por R$ 22 bilhões à Telefônica, Genish presidiu a Vivo antes de ir para Vivendi.

No dia 29 de março, data da nova assembleia da Telecom Itália, o fundo Elliott e a francesa Vivendi voltam a se enfrentar para discutir a composição do conselho da empresa. Uma nova briga de poder não está descartada.

Novos acionistas

Depois de meses de disputa societária entre a Pharol (antigos acionistas da Portugal Telecom) e o empresário Nelson Tanure, sócio da tele, fundos de investimentos se tornaram os maiores acionistas da Oi, que tem controle pulverizado. As gestoras Golden Tree, York e Solus estão entre os maiores sócios. A Bratel, subsidiária da Pharol, é a terceira maior acionista.

Fontes próximas à operadora afirmaram ao Estado que o nome de Genish é o favorito para conduzir as mudanças na companhia. Caso o executivo recuse de vez o convite, o plano B seria Rodrigo Abreu, ex-presidente da TIM e hoje na Quod. Abreu também é membro do conselho de administração da Oi. No passado, uma das soluções apontadas para resolver os problemas financeiros da Oi foi uma fusão com a TIM.

A operadora brasileira é comandada desde o fim de 2017 pelo executivo Eurico Teles, funcionário de carreira da Oi e diretor jurídico da companhia. Teles tem sido responsável pelo processo de reestruturação da operadora, com apoio do juiz responsável pela recuperação judicial da Oi, e sua permanência à frente da tele está garantida até o fim deste mês.

Pessoas próximas à Oi afirmaram à reportagem que a mudança da gestão da companhia ainda não foi discutida pelo conselho de administração – ao menos até a última reunião, realizada na quinta-feira.

Revisão estratégica

Quarta maior operadora de telefonia do País, a Oi anunciou, no início deste ano, a contratação do Bank of America Merrill Lynch para vender ativos da companhia, como torres de telefonia e centrais de processamento de dados. A consultoria Boston Consulting Group (BCG) também foi recrutada para conduzir o processo de revisão estratégica da operadora.

Procurada, a Oi não quis comentar o assunto. O fundo Golden Tree preferiu não se manifestar. As gestoras York e Solus não retornaram os pedidos de entrevista. Os executivos Amos Genish e Rodrigo Abreu também não quiseram comentar o assunto.

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