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Oi terá ajuda do governo brasileiro em Angola

Em visita ao país, ministros vão apelar ao presidente para tentar resolver impasse da Oi com a operadora Unitel

Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2015 | 21h54

Um aporte extraordinário de capital do governo de Angola na Unitel, a empresa de telefonia do país, pode trazer prejuízo para a Oi e, consequentemente, para o governo brasileiro. Sem conseguir negociar com a empresa africana seus direitos de acionista na Unitel, a Oi pode ver seus 25% da empresa caírem para 0,8%, transformando em quase nada os investimentos do BNDESPar e dos fundos de pensão Previ, Petros e Funcef, que são acionistas da empresa.

A Oi está disposta a solucionar o impasse com a Unitel e aposta no poder de persuasão do governo brasileiro para resolver a crise, herdada da Portugal Telecom (PT). Na semana passada, o presidente da empresa, Bayard Gontijo, esteve com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro Neto, para pedir ajuda. Os ministros estarão em Angola em 1º de abril, como parte de um périplo pela África, e serão recebidos pelo presidente José Eduardo dos Santos. Além disso, a tele brasileira pretende avançar nas negociações para a venda de seus ativos africanos no segundo semestre. Para que isso ocorra, porém, precisa reestabelecer a conturbada relação.

“Primeiro, a Oi deve resolver o conflito, depois começa o trabalho de vender a participação, mas é preciso estabilizar essa relação antes”, afirmou uma fonte próxima à companhia. A Oi quer se desfazer dos 75% da Africatel, que é dona dos 25% da Unitel e usar os recursos para capitalizar a empresa.

O imbróglio com a Unitel foi herdado pela Oi da Portugal Telecom, quando a operadora brasileira incorporou a empresa portuguesa. A PT vendeu, em 2007, parte da Africatel, a empresa que controla sua parte na Unitel, para o fundo de investimentos nigeriano Hellios, à revelia do conselho de acionistas.

A empresa angolana não reconheceu a venda e, desde então, dificulta para que a PT assuma sua parte como acionista, inclusive retendo o dividendos devidos a Oi que chega a € 400 milhões e impedindo que a empresa nomeie representantes para o conselho de acionistas. A Oi tem direito a indicar três dos cinco membros.

Fontes da empresa confirmaram ao Estado que a relação com a Unitel põe em risco os investimentos da empresa, mas afirmam que é uma questão política, e que tentam vencer em negociações com o governo angolano. O aporte de recursos é pequeno para a empresa, dizem. Seriam US$ 10 milhões para não ter a participação de 25% diluída, o que a Oi garante não ser problema. No entanto, como a Unitel não reconhece a empresa como acionista, não permite que faça o aporte de recursos necessário.

O governo brasileiro tem interesse direto na solução da crise. O BNDESPar é dono de 5,45% e os fundos de pensão da Petrobrás, Petros, com 3,13%, da Caixa, Funcef, com o mesmo valor, e Previ, do Banco do Brasil, com 4,05%, somam outros 10,31% - e, até agora, acumulam bons prejuízos. O tema está na pauta dos ministros, que devem tentar convencer o governo de Angola a reconhecer a Oi como acionista da Unitel. A empresa já tentou a intermediação de um escritório português de direito internacional, mas não teve sucesso. O valor estimado dos ativos da África é de 1,3 bilhão de euros, o que inclui fatia de 25% da Africatel na Unitel, operadora de Angola. 

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