Oi, Vivo e Claro planejam oficializar oferta pela TIM antes do leilão de 4G

Divisão da operadora controlada pela Telecom Itália deve ser feita em partes diferentes, com 40% para a Claro, 35% para a Oi e 25% para a Vivo; proposta pode superar R$ 30 bilhões

Mariana Sallowicz, O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2014 | 22h07

RIO - As operadoras de telefonia Oi, Vivo e Claro querem apresentar para a Telecom Itália uma proposta conjunta de compra da TIM Brasil antes do leilão da faixa de 700 MHz da internet móvel de quarta geração (4G), marcado para 30 de setembro. A expectativa é de que, nos próximos dias, Vivo e Claro possam formalizar interesse no negócio, informou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, uma fonte próxima às negociações. 

Essas duas operadoras também têm interesse de participar do fatiamento da TIM Brasil. A Vivo, no entanto, poderá demorar mais tempo para se manifestar, uma vez que sua controladora, a Telefônica, está em plena negociação para a compra da GVT, disse uma fonte a par da negociação.

“A manifestação (das operadoras) deve ocorrer antes do leilão porque se trata de uma peça importante da equação. É importante que a decisão sobre a consolidação ou não consolidação (do setor) seja tomada até antes”, afirmou uma fonte. 

A Telecom Itália, dona da TIM Brasil, ainda não foi oficialmente procurada. A proposta será conduzida pelo BTG Pactual, contratado pela Oi para desenvolver alternativas para viabilizar as negociações.

Já é certo que a divisão da tele não será em porcentuais iguais. Uma das propostas em estudo hoje é que as fatias fiquem em torno de 40%, 35% e 25%, números que ainda não estão fechados e podem variar. Por questão regulatória, a compra da TIM não poderia ser feita por uma única operadora.

O grupo mexicano América Móvil (que controla Claro, Embratel e Net) deve ficar com o maior porcentual. A empresa sofre um forte processo de concorrência no México e está atenta ao mercado brasileiro. Já a segunda maior participação ficaria com a Oi e, a outra, com a Vivo, segundo as negociações neste momento. Esta última teria a menor fatia, uma vez que já é líder no mercado móvel de telefonia no País.

Os controladores da Vivo e da Claro já foram contatados e demonstraram que participarão do processo, segundo fontes.

A quantia a ser oferecida será superior a R$ 30 bilhões, atual valor de mercado da TIM Brasil. Em operações com venda de controle, o prêmio a ser pago costuma ser de 20% a 25% . Em valores de hoje, a proposta pela empresa poderia ficar entre R$ 36 bilhões e R$ 38 bilhões.

Pendências. Um dos pontos que estava pendente para o processo avançar era a definição sobre a compra da GVT, mas já foi equacionado. No fim do mês passado, o grupo francês Vivendi, controlador da GVT, anunciou ter entrado em negociações exclusivas com a Telefônica para a venda da operadora no Brasil, rechaçando proposta da Telecom Itália.

Outra pendência, no caso da Oi, é a assembleia dos acionistas da Portugal Telecom (PT), que acontece na segunda-feira, que deverá voltar sobre a revisão da fusão entre as duas companhias após o calote sofrido por aplicações de tesouraria na Rioforte Investments. “Após isso (assembleia da PT), vai ficar muito clara qual é a condição de cada um”, afirma uma fonte.

Pela proposta em elaboração, alguns ativos da TIM devem ser vendidos para outras empresas. A tele tem, por exemplo, cerca de 7 mil torres, que podem ser comercializadas para empresas que queiram alugá-las depois. A Oi poderá vender torres, cabos submarinos e a fatia de 25% na Unitel, empresa de telefonia móvel de Angola.

A divisão dos clientes da TIM ainda não foi definida, mas já estaria sendo mapeada. A Oi tem mais interesse na participação do Estado de São Paulo, além de Estados do Sul, onde tem atualmente menor penetração. Já a Vivo está atenta ao Nordeste, enquanto a Claro também tem interesse em São Paulo, Minas Gerais e em parte do Sul. Procuradas, as empresas não se manifestaram. 

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