OMC vai discutir alternativa à Rodada Doha, dizem autoridades

Os pontos de divergência incluem acordos para redução de tarifas sobre máquinas, carros e outros bens industriais e taxas sobre produtos agrícolas

Danielle Chaves, da Agência Estado,

28 de abril de 2011 | 11h47

Os 153 membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) vão discutir abertamente pela primeira vez uma alternativa à fracassada Rodada Doha de negociações comerciais, segundo o Wall Street Journal, que citou autoridades da instituição. O chamado plano B será discutido hoje e amanhã na sede da OMC, em Genebra, e provavelmente eliminará questões que se provaram impossíveis de resolver durante os 10 anos de existência da Rodada Doha.

Os pontos de divergência incluem acordos para redução de tarifas sobre máquinas, carros e outros bens industriais e taxas sobre produtos agrícolas. No lugar disso, os países vão manter itens sobre os quais concordam, como padrões alfandegários comuns e limites para os subsídios à pesca.

Pascal Lamy, diretor-geral da OMC, afirmou que vai apresentar uma "avaliação lúcida e exata sem fingir que nós não temos esse enorme problema" sobre cortes de tarifas. Lamy decidiu que uma alternativa a Doha seria necessária depois de consultar todos os membros da OMC na semana passada, segundo autoridades da instituição.

Reduzir o tamanho de Doha para algo que todos os países possam aceitar preservaria a legitimidade da OMC como defensor das regras comerciais e árbitro de disputas entre países e companhias. Isso também manteria aberta a opção de uma futura rodada de comércio, disseram alguns analistas.

Vários cenários serão considerados hoje e amanhã, de acordo com um diplomata com conhecimento do assunto. Uma questão sobre a qual todos concordam, por exemplo, é um tratado sobre facilitação do comércio. Os países em desenvolvimento geralmente não têm as estradas, os portos e os escritórios de alfândega necessários para expandir as exportações. Os países ricos cada vez mais focam sua ajuda para a construção dessas instalações. Doha transformaria essa ajuda em uma obrigação determinada por tratado.

Com as eleições de 2012 nos EUA se aproximando, os membros da OMC resolveram finalizar a Rodada Doha até o fim deste ano. A Rodada Doha começou em novembro de 2001 e pretendia ser uma rodada de desenvolvimento, oferecendo às economias pobres e emergentes mais acesso aos mercados dos EUA e da Europa e, assim, combatendo a pobreza que alimenta o terrorismo.

No entanto, o forte crescimento da China, do Brasil e da Índia abalou as negociações. Repentinamente receosos com esses novos concorrentes, os EUA e a União Europeia se recusaram a reduzir as barreiras para importações agrícolas a menos que esses países abrissem seus enormes mercados para bens industriais.

Esses cinco blocos - sem Japão e Canadá, que gradualmente perderam o status de protagonistas nas negociações - se confrontaram encontros após encontros durante a década. Um consenso pode nunca existir e, cada vez mais, os negociadores estão admitindo a impossibilidade de sucesso. As informações são da Dow Jones. 

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