ONS estuda medidas de segurança para evitar novos apagões

Ideia é tentar aliviar o peso da usina hidrelétrica de Itaipu, aindaresponsável por grande parte da energia consumida pelo País

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

24 de maio de 2010 | 15h37

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, afirmou hoje que o órgão estuda mais medidas de segurança para evitar novos apagões, como o ocorrido em novembro do ano passado, quando 18 estados ficaram sem luz. Na prática, a ideia é tentar aliviar o peso da usina hidrelétrica de Itaipu, ainda responsável por grande parte da energia consumida pelo País, e evitar uma "sobrecarga" nas demandas da usina, em seu fornecimento de energia.

Uma das medidas que estão sendo efetuadas é a construção de uma outra linha de transmissão, ligando Foz de Iguaçu  a Cascavel (no meio do caminho entre Foz e Ivaiporã, no Paraná), que tiraria um pouco do "peso"  de Itaipu. No apagão ocorrido no ano passado, o problema ocorreu na hidrelétrica de Itaipu, devido a uma falha das linhas abastecidas por Furnas, prejudicadas por condições meteorológicas adversas, como fortes chuvas ocorridas na região das linhas.

Ainda segundo Chipp, o ONS analisará alguns pontos estratégicos onde os critérios de segurança e monitoração podem ser aprimorados, com o objetivo de evitar blecaute. "Não é não ter blecaute. É impossível você operar para evitar blecaute" disse, acrescentando, no entanto, que algumas medidas estratégicas e de segurança podem ser efetuadas para tentar evitar este problema.

Na  avaliação de Chipp, o operador do sistema e os órgãos planejadores do sistema elétrico precisam encontrar um ponto de equilíbrio  quanto ao custo da segurança. Ele comentou que, no âmbito da NOS, preocupa a ausência de novas térmicas na matriz energética nacional. Para o ONS, de acordo com Chipp, seria mais interessante promover leilões onde se envolvesse "todo mundo" e assim diversificar ainda mais a matriz.

Chipp defendeu ainda a idéia de leilões dirigidos, ou regionais, realizados apenas em áreas onde a demanda por um tipo de energia seja mais ausente. "Por exemplo é notória a necessidade de térmicas no Sul", afirmou, comentando que poderia haver leilões de térmicas somente naquela região, para atender especificamente aquela área. Ele deu entrevista a jornalistas após participar de cerimônia de posse de novos diretores do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) hoje no Rio. 

Consumo em crescimento

O consumo de energia do País este ano deve ficar "um pouco acima" dos 5% a 5,5% já previstos oficialmente pelo governo, na avaliação de Chipp. Mas segundo Chipp não deve ser superior a 9%. Ele comentou que o crescimento da economia brasileira este ano no cenário pós-crise global estimulou o consumo de energia industrial do País, o que deve ajudar a puxar a demanda por energia este ano.

Segundo Chipp, no ano passado, por conta da crise, o crescimento no consumo de energia "foi praticamente nulo", com taxa próxima de zero, em torno de 0,5%. De acordo com ele, o consumo residencial praticamente não mostrou nenhum tipo de desaquecimento em 2009, enquanto o consumo comercial ficou relativamente estagnado. A grande diferença partiu do consumo industrial, que sofreu um baque devido ao cenário de turbulência global em 2009. "A tendência este ano é um crescimento, uma recuperação no consumo industrial", afirmou Chipp.

Ainda segundo o dirigente, o consumo de energia acumulado até meados de maio cresceu em torno de 9% ante 12 meses imediatamente anteriores. Ele não acredita que o ano de 2010 contará com um crescimento deste nível por muito tempo. Isso porque as taxas de crescimento do início deste ano estão sendo afetadas por uma base de comparação muito baixa, que refletiram as demandas menos intensas apuradas no ano passado, afetadas pela crise. "Creio que (o consumo de energia no País) vai ficar um pouco abaixo disso (de 9%)", afirmou.   

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