ONU apresenta a empresas do Brasil oportunidades de negócios

Em 2006, organização adquiriu US$ 9,3 bilhões em mais de 20 mil itens, que incluem alimentos e equipamentos

Anne Warth, da Agência Estado,

03 de outubro de 2007 | 14h44

Representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) apresentaram nesta quarta-feira, 3, em São Paulo, as oportunidades para que empresas brasileiras vendam produtos e serviços para os 44 fundos, programas, organizações e instituições financeiras que compõe o órgão. No ano passado, a ONU adquiriu US$ 9,3 bilhões em mais de 20 mil itens, que incluem alimentos, vestuário, calçados, veículos, equipamentos agrícolas, audiovisuais e eletrônicos, fertilizantes, vacinas e medicamentos, entre outros. Segundo a Inter-Agency Procurement Services Office (Iapso), que centraliza as compras da ONU, a participação brasileira ficou em apenas 1% desse volume. A diplomata Luciana Serrão Sampaio, que coordena o Programa de Promoção das Exportações para o Sistema das Nações Unidas do Ministério de Relações Exteriores, avaliou que as oportunidades para as empresas brasileiras são excelentes. "Exportar para o Sistema ONU é como entrar em um novo mercado, com a diferença de que um novo mercado pode desenvolver um provedor próprio. A ONU nunca vai fazer isso, pois é uma eterna compradora", afirmou, após participar do Seminário "Como Fazer Negócios com a ONU", na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "É um mercado que obviamente possui desafios e é extremamente competitivo, mas temos tudo para participar de igual para igual com qualquer outro país", acrescentou. Apesar das oportunidades, apenas 198 companhias brasileiras estão cadastradas como fornecedoras da organização. O cadastro pode ser feito por meio do site da Iapso - www.iapso.org -, que centraliza as licitações de todas as agências que compõe a ONU. O Brasil exporta regularmente para as Nações Unidas produtos como alimentos, produtos farmacêuticos, veículos, computadores, softwares, equipamentos de telecomunicação, aparelhos de raio X e vacinas. Entre os serviços comercializados, estão consultas, treinamentos, auditorias e pesquisas nas áreas de agricultura, administração e contabilidade. As empresas que se cadastram como fornecedoras no site da Iapso podem concorrer a três tipos de compras: com valor até US$ 30 mil, de US$ 30 mil a US$ 100 mil ou acima de US$ 100 mil e contratos de longo prazo. As duas primeiras modalidades restringem a participação nas concorrências a empresas estabelecidas nos países onde estão as agências ou missões. Já a última é a mais concorrida, pois trata-se de uma disputa aberta a qualquer empresa que tenha interesse em participar. Segundo Luciana, a ONU exige das empresas características como preço competitivo, parcerias com fornecedores em outros países - para atendimento pós-venda nos locais onde o produto ou serviço foi adquirido -, qualidade e capacidade de entrega. Ao publicar um edital de licitação, a ONU envia e-mails a todas as empresas cadastradas que podem fornecer o produto ou serviço solicitado e, em algumas concorrências, convida companhias para integrar o cadastro e participar da licitação. A organização exige uma pré-qualificação, feita de forma gratuita, para fornecedores de pesticidas, fertilizantes, medicamentos e vacinas. A diplomata alerta que é necessário estar atento aos requisitos que a ONU exige em cada licitação. "É preciso seguir passo-a-passo as instruções de forma a satisfazer o que é exigido e ter compromisso com qualidade, quantidade e prazo solicitados", lembrou. "As empresas brasileiras possuem tecnologia, capacidade e produto. O que falta é informação, conhecer as certificações necessárias, método e habilitação para participar das concorrências. A maior dificuldade é transformar a informação em ação." Os empresários interessados em exportar para as Nações Unidas têm o apoio da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). Dos cerca de US$ 90 milhões que o Brasil exportou em 2006 para as Nações Unidas, 61,7% foram produtos e 38,3% foram serviços. As principais divisões da ONU que adquirem produtos e serviços brasileiros são a Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Algumas das principais empresas que já são fornecedoras regulares das Nações Unidas são a Itambé (leite em pó), a Bio Manguinhos (vacinas) e a Positivo (computadores).

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