Leo Souza/Estadão - 16/11/2020
Transferências por meio do Pix devem ficar ainda mais práticas com o open banking. Leo Souza/Estadão - 16/11/2020

Open banking trará facilidades já no começo de 2022, dizem bancos e fintechs

Instituições financeiras serão interligadas e movimentações e consultas ficarão mais ágeis, preveem especialistas; sistema começou a ser implantado no País em fevereiro e já está em sua última fase

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2021 | 05h00

BRASÍLIA - Apesar da adoção mais rápida do que em outros países, o open banking – sistema que permite o compartilhamento de dados bancários – ainda é pouco evidente no dia a dia dos brasileiros. Banco Central, bancos e fintechs defendem que o processo é uma “maratona” e os resultados serão percebidos pouco a pouco pela população. A expectativa é de que alguns efeitos já sejam sentidos no início do ano que vem.

Na avaliação do diretor de Inovação, Produtos e Serviços Bancários da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Leandro Vilain, os clientes já devem começar a usufruir de algumas facilidades para fazer pagamentos e transferências via Pix, o sistema de pagamento instantâneo também criado pelo BC.

É provável que o cliente possa pagar uma compra em um e-commerce sem precisar entrar no aplicativo do banco, apertando apenas um botão. Ou, caso tenha conta em mais de uma instituição, vai poder fazer uma transferência de uma delas usando o saldo da outra, se, por exemplo, estiver no vermelho na primeira conta.

“Acho que é viável em dois meses, por meio de aplicativos de agregadores financeiros do próprio setor bancário, que vão permitir a consolidação de operações de mais de uma conta bancária. O banco A pode disponibilizar o agregador, em que o cliente poderá ver o extrato do banco A e o do banco B. Será ótimo principalmente para o microempresário, que tem muito trabalho nessa conciliação”, explica Vilain.

Iniciativas

Para essas transações funcionarem, porém, é preciso que as chamadas iniciadoras de pagamento, que podem ser instituições financeiras ou não financeiras autorizadas pelo BC, estejam em plena operação. A expectativa da Febraban é de que, na virada do ano, isso ocorra. Segundo o BC, já há iniciadores de pagamento autorizados e outros com pleito em análise pelo regulador.

Após essa fase, no caso do e-commerce, será necessário cadastrar as lojas. “Devem estar disponíveis nos próximos meses para os clientes em alguns sites de comércio eletrônico e em transações dentro dos próprios bancos. Mas vai começar de forma pequena, iniciando, por exemplo, com um banco”, diz Vilain.

Novidade

“O open banking é como a chegada da internet. Na década de 80, ninguém sabia direito para que servia aquilo, mas sabia que tinha potencial. Hoje, 67% das transações bancárias são feitas no internet banking ou no celular. Pouco a pouco, os produtos com open banking vão começar a surgir”, completa, ressaltando a preocupação dos bancos com os protocolos de segurança para proteger os dados dos clientes.

Da mesma forma, Rogerio Melfi, coordenador do Grupo de Trabalho de Open Banking da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), ressalta que as instituições financeiras já estão preparadas para fazer as movimentações de pagamento, mas é preciso esperar a “evolução natural do mercado” dos iniciadores de pagamento. “O open banking é uma maratona. Tem evoluído, conforme o crescente número de conexões.”

Veja como funciona o open banking

O que é open banking?

É um sistema que permite o compartilhamento de dados dos clientes entre instituições financeiras 

Como funciona?

A comunicação entre os bancos se dá por meio de APIs (Application Programming Interface). É mesma tecnologia usada para autenticar dados de uma rede social para entrar no sistema de streaming 

O que muda?

O open banking deve proporcionar uma igualdade de condições para as instituições financeiras, o que deve aumentar a concorrência entre elas e garantir melhores oportunidades para o consumidor

O open banking é seguro?

O Banco Central garante que sim. Os dados ficarão dentro das bases dos bancos, como já ocorre hoje. Não existirá centralização das informações em “nuvem” 

Qual é o cronograma de implementação?

  • 1.ª fase, 21 de fevereiro

Restrita ao ambiente corporativo, com trocas de informações entre as instituições financeiras.

  • 2.ª fase, 13 de agosto:

Até 10% dos clientes passaram a ter acesso ao novo sistema de compartilhamento.

  • 3.ª fase, 29 de outubro:

Liberada a realização de transações entre instituições financeiras por meio do open banking, não apenas o compartilhamento de dados.

  • 4.ª fase, amanhã:

Passa a ser possível compartilhar dados sobre seguros, investimentos, operações de câmbio e previdência.

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Open banking chega aos segmentos de seguros, investimentos e previdência; veja o que muda na 4ª fase

Inicialmente, estarão disponíveis para consulta pelo cliente apenas os produtos ofertados pelas instituições financeiras, incluindo taxas e condições; mais de 700 empresas já fazem parte do sistema

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2021 | 05h00

BRASÍLIA - Às vésperas do lançamento da sua quarta e última fase, o open banking acumula mais de 1 milhão de autorizações de clientes para compartilhamento de seus dados bancários, segundo o Banco Central (BC). Um dos primeiros a “abrir o sistema financeiro” no mundo, o Reino Unido precisou de dois anos para alcançar essa marca – o Brasil conseguiu em quatro meses.

A iniciativa do BC, que pretende aumentar a competitividade no sistema financeiro, começou em fevereiro. De lá para cá, já são mais de 700 instituições participantes e 51 milhões de conexões, que são as “chamadas” entre as instituições participantes para troca de informações. 

Nesta última etapa, que começa amanhã, será possível a troca de informações entre instituições financeiras sobre investimentos, seguros, previdência privada e câmbio. É o open finance (finanças abertas, em tradução livre).

Em um primeiro momento, haverá apenas o compartilhamento dos produtos ofertados pelas instituições financeiras, incluindo taxas e condições, o que vai facilitar a comparação entre os serviços pelo cliente. Mas, em 31 de maio de 2022, o usuário também vai poder partilhar seus próprios dados de investimento, seguros, previdência privada e câmbio, se for do seu desejo.

Isso vai permitir, por exemplo, que um banco X veja que a taxa de remuneração cobrada pelo banco Y de um determinado cliente está muito alta ou não dá o retorno adequado ao perfil, e ofereça a ele um plano mais vantajoso. “O modelo brasileiro de open banking envolve o maior escopo do mundo, incluindo desde o início da implementação de dados sobre crédito”, diz o diretor de Regulação do BC, Otávio Damaso

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Com open banking, mercado ficará mais acessível a todos os brasileiros; leia análise

Agenda de inovação proposta pelas autarquias reguladoras está contribuindo para mudanças no sistema financeiro brasileiro

Rogerio Melfi*, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2021 | 05h00

Em fevereiro deste ano foi dado o início ao open banking, no qual bancos e fintechs começaram a compartilhar dados de seus produtos e serviços, mas as mudanças não param por aí. Toda a agenda de inovação proposta pelas autarquias reguladoras está contribuindo para mudanças no sistema financeiro brasileiro, sendo esta a ação de maior impacto no processo de democratização do sistema bancário.

A evolução do sistema ainda somará mais produtos e serviços, tais como open insurance, que incluirá o mercado de seguro; instituições de encaminhamento de propostas de crédito, que irão melhorar a experiência dos usuários; dentre outras.

A verdade é que o open finance será – se já não é – um marco na democratização financeira, e a expectativa é de que o volume de troca de informações aumente. Claro, o maior beneficiário será o consumidor final, que ganhará mais opções e facilidades no seu dia a dia. 

*GERENTE DE OPEN FINANCE NA TECBAN E LÍDER DO GRUPO DE TRABALHO DE OPEN BANKING E OPEN INSURANCE NA ABFINTECHS

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