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Operação brasileira do HSBC tem prejuízo ajustado de US$ 89 mi no 1º trimestre

Perdas aconteceram especialmente por causa da alta das provisões contra calote; processo de venda do HSBC Brasil para o Bradesco está em curso

Fernando Nakagawa, correspondente, O Estado de S. Paulo

03 de maio de 2016 | 07h59

LONDRES - Em meio à expectativa para que as autoridades aprovem a venda  do HSBC Brasil para o Bradesco, a filial brasileira do banco britânico anunciou prejuízo ajustado antes de impostos de US$ 89 milhões no primeiro trimestre de 2016. O resultado foi gerado especialmente pelo forte aumento das provisões contra calote. O executivo-chefe do HSBC, Stuart Gulliver, diz que o processo de venda do HSBC Brasil está em curso e a casa só espera a aprovação final das autoridades brasileiras para passar o controle ao banco paulista.

Balanço apresentado na manhã desta terça-feira, 03, mostra que o HSBC Brasil voltou a registrar prejuízo, após o lucro antes de impostos de US$ 68 milhões do primeiro trimestre de 2015. A inversão de sinais aconteceu especialmente porque as provisões para operações de crédito saltaram 90,3% e alcançaram US$ 335 milhões entre janeiro e março de 2016. O montante reservado para cobrir eventuais calotes no Brasil correspondeu a 28,9% de todas as previsões do grupo no mundo no período.

O balanço informa que boa parte da provisão no Brasil foi destinada aos empréstimos para pessoas físicas. "O aumento das provisões aconteceu notadamente no Brasil, o que refletiu a continuidade da desaceleração da economia", cita o balanço divulgado em Londres e Hong Kong.

Mesmo sem as provisões, os números do HSBC Brasil mostraram que o banco perdeu fôlego na geração de caixa. As receitas da filial caíram 2,3% na comparação anual, para US$ 736 milhões no trimestre. Por outro lado, as despesas operacionais da filial brasileira caíram 3,7%, para US$ 489 milhões.

Saída. Stuart Gulliver ressaltou, na abertura da teleconferência do HSBC com analistas, que o processo de venda da filial deficitária está em curso. "A venda no Brasil está a caminho. O corpo técnico da agência brasileira de concorrência recomendou ao conselho que a venda seja aprovada", disse aos acionistas, referindo-se ao Cade. O executivo ressaltou que a esperada saída do mercado brasileiro vai beneficiar os números da instituição com melhora do perfil de capital e queda do volume de provisões, além de colaborar com o plano da casa de diminuir o tamanho do banco com a redução do total de ativos sob gestão.

Questionado sobre eventual prazo para a conclusão da operação, Gulliver preferiu não se comprometer e disse que o processo continua e que o banco detalha os dados sobre o Brasil para que os acionistas e analistas possam entender com ficará a instituição sem a filial brasileira. Quando a venda ao Bradesco foi anunciada, em agosto do ano passado, havia expectativa informal da direção do HSBC de que a transação poderia ser concluída ao longo do primeiro semestre de 2016. 

Mundo. Em toda sua operação mundial, o HSBC divulgou que teve lucro líquido de US$ 4,3 bilhões no primeiro trimestre do ano, menor que o ganho de US$ 5,26 bilhões obtido em igual período de 2015. Na mesma comparação, a receita do banco britânico recuou 5,8%, a US$ 14,98 bilhões.

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