Oposição diz que eleições no Japão podem ocorrer em julho

Na segunda-feira, primeiro-ministro disse que renunciará assim que algumas leis forem aprovadas, mas não estabeleceu uma data específica

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

29 de junho de 2011 | 11h35

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, convocará eleições antecipadas no final de julho ou em agosto, afirmou o chefe político do principal partido oposicionista do país, nesta quarta-feira, 29. O comentário é feito um dia após Kan dizer que a política energética será o grande tema da próxima eleição, sem explicar seu cronograma e gerando especulação sobre se ele considera ir às urnas.

O chefe político do oposicionista Partido Liberal Democrata (PLD), Shigeru Ishiba, disse em entrevista coletiva que a possibilidade de uma eleição antecipada não pode ser descartada. "O período poderia ser o final de julho ou em agosto."

Já o principal porta-voz do governo, Yukio Edano, rejeitou as especulações, dizendo em outra entrevista coletiva que os parlamentares estavam "interpretando muito" a partir dos comentários do primeiro-ministro.

Inicialmente, a eleição para a Câmara dos Deputados do Japão está prevista para 2013, porém alguns parlamentares e analistas especulam que Kan pode dissolver o Legislativo e ir às urnas, para tentar encerrar o impasse político e prolongar seu tempo no poder. A atual sessão parlamentar foi prorrogada até 31 de agosto, em uma tentativa de aprovar projetos cruciais para a reconstrução após o terremoto e o tsunami que atingiram o país em março.

Na terça-feira, Kan disse em uma reunião dos deputados governistas que gostaria de comandar uma nova política energética "o mais rápido possível". Porém não falou se estuda a possibilidade de dissolver a Câmara dos Deputados.

O Partido Democrático do Japão (PDJ), de Kan, tem a maioria na poderosa Câmara dos Deputados. Porém a oposição controla a Câmara Alta, que não pode ser dissolvida pelo premiê e tem o poder de bloquear a maior parte da legislação, incluindo uma lei necessária para financiar 40% do orçamento para este ano fiscal que começou em abril.

A oposição critica Kan por sua suposta falta de liderança após o terremoto e o tsunami de 11 de março. Na segunda-feira, Kan disse que renunciará assim que algumas leis forem aprovadas, porém não estabeleceu uma data específica para isso.

Uma pesquisa da agência Kyodo divulgada nesta quarta-feira mostra que o gabinete de Kan tem um apoio de 23,2% dos eleitores japoneses. Em pesquisa do início de junho, esse apoio estava em 33,4%. As informações são da Dow Jones.

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