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Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Os efeitos do PIB para o empreendedor

Especialistas mostram como o desempenho do País na economia pode afetar a rotina das empresas menores

Bruno de Oliveira, Especial para o Estado

31 de março de 2015 | 07h00

Sem nenhuma surpresa, e confirmando as expectativas de economistas e do mercado, o Produto Interno Bruto (PIB) do País avançou 0,1% em 2014, ante os 2,7% registrados em 2013. O fraco desempenho, puxado por um cenário de poucos investimentos e estagnação em setores importantes, como indústria e comércio, vai trazer desafios aos pequenos e médios negócios em 2015.

Isso porque, segundo especialistas, sobreviverão à crise os negócios que se adaptarem melhor ao cenário adverso. Para este ano, por exemplo, era esperado que os reajustes de tarifas de energia elétrica e combustíveis derivados do petróleo fossem os principais obstáculos às PMEs. Após a divulgação do PIB, na última sexta-feira, surgiram novos vilões.


Para Virene Matesco, professora da escola de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro, o cenário de arrocho vai se intensificar ao longo do ano quando começarem a ser contabilizadas as perdas proporcionadas pela crise hídrica, o real desvalorizado frente ao dólar e o risco iminente de racionamento no País.

“O fraco desempenho reflete muito nas pequenas empresas, que muitas vezes não contam com margens que lhes possibilitam driblar a crise. As que tiverem algum tipo de reserva, terão de enfrentar ainda um possível racionamento. Se for confirmado isso, será um agravante aos pequenos negócios”, explica Virene Matesco.

Outro fator que representa um obstáculo aos pequenos negócios é o cenário de desconfiança entre os investidores, o que pode na prática reduzir ou interromper os aportes planejados para 2015. 

“Existe uma certa crença no mercado de que as empresas menores se ajustam melhor ao momento de crise. Isso serve apenas para o microempreendedor, que consegue mexer em preços e tem um custo operacional baixo. Os negócios que atendem uma cadeia produtiva composta por empresas maiores vão demorar mais tempo para diversificar e mitigar os riscos”, completa a professora da FGV.

Apesar da projeção de um futuro obscuro, existem caminhos que as pequenas empresas deverão seguir para driblar ou amenizar os efeitos da crise econômica, entre eles, está a estratégia de oferecer produtos e serviços ao próprio governo participando de licitações.

Indústria. Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo do Insper, aponta também as exportações como a atividade que pode representar a retomada do fôlego da economia. Por outro lado, o dólar alto compromete a competitividade da indústria, já que encarece matérias-primas, insumos e aumenta dívidas que foram contraídas na moeda estrangeira. 

“No médio prazo, o que deverá nortear as estratégias das empresas são os cortes de custos, renegociação de dívidas e diversificação. As licitações públicas que estão planejadas para este ano podem aquecer empresas que atuam com infraestrutura”, afirma o especialista. “Equilibrar a balança que pesa o que vem de fora e o que sai do País é fundamental para fortalecer a indústria, setor que apresentou um desempenho muito fraco em 2014”, detalha.

Segundo o IBGE, os investimentos recuaram 4,4% no ano passado, depois de terem avançado 6,1% em 2013. A indústria, por sua vez, recuou 1,2% (leia mais sobre a indústria na página 4). Ainda de acordo com os dados divulgados na última sexta-feira, a agricultura permaneceu relativamente aquecida – alta de 0,4% e o setor de serviços, com ascensão de 0,7%. Foram esses segmentos que mantiveram o resultado geral do PIB minimamente positivo em 2014. 

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