OSX pede 25 anos para pagar credores

Plano de recuperação apresentado nesta sexta ainda não tem aval de todos os detentores da dívida 

Mariana Sallowicz e Mônica Ciarelli, Agência Estado

16 de maio de 2014 | 19h45

Atualizado às 22h15

RIO - Em meio às negociações para obter novo financiamento, a OSX, braço de construção naval da EBX, apresentou nesta sexta-feira o plano de recuperação judicial com proposta de pagamento aos credores em 25 anos. Sem acordo prévio com os principais detentores de sua dívida para garantir a aprovação do documento, o plano é considerado um rascunho.

O Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, apurou que a empresa já trabalha com a expectativa de fazer modificações antes da assembleia de credores. O foco da OSX é garantir um injeção de recurso novo na companhia, a exemplo do que obteve a petroleira do grupo de Eike Batista, OGX, também em recuperação judicial.

A intenção é costurar um financiamento de US$ 100 milhões do tipo DIP (debtor-in-possesion, feito a uma empresa em recuperação para viabilizar sua operação). Para isso, os executivos envolvidos nas negociações têm realizado reuniões com representantes dos principais credores (Votorantim, Caixa, Techint, Acciona e Santander). Além disso, a empresa de Eike Batista informou que poderá promover uma reestruturação societária.

A dívida total consolidada da OSX Brasil é de US$ 2,6 bilhões (R$ 5,75 bilhões), incluindo os valores devidos pela subsidiária OSX Leasing, que não faz parte do plano. O material entregue à 3ª Vara Empresarial do Rio não prevê desconto imediato nos valores. No entanto, ele está implícito, uma vez que o pagamento ocorrerá em 25 anos e com período de carência.

No documento apresentado nesta sexta, a companhia propõe um período de carência de três anos para o pagamento dos credores quirografários (sem garantia real). De acordo com a OSX, não há no momento credores com garantia real. Além disso, sugere que a quitação seja feita em 22 parcelas anuais, com juros e correção monetária correspondentes à variação do IPCA e pagos anualmente. A companhia informou que não possui dívidas trabalhistas.

Estaleiro. No plano, também declarou que fará um redimensionamento da Unidade de Construção Naval (UCN) Açu, localizada em São João da Barra (RJ). A empresa informa que, inicialmente, o seu objetivo era construir uma operação de estaleiro para atuar na fabricação, montagem, integração e comissionamento de embarcações destinadas à exploração de petróleo e gás.

"No entanto, com alterações no direcionamento estratégico do grupo OSX, a operação UCN Açu e a construção do estaleiro se basearão, em grande parte, na realização de parcerias com empresas da cadeia de óleo e gás, interessadas em se instalarem na área, aproveitando o seu grande potencial e financiamento atrativo." As parcerias, informa, podem ser feitas pelo arrendamento de parte da área da UCN Açu, formação de "joint ventures" ou uma combinação de ambos.

A empresa também está tentando se desfazer de suas plataformas de petróleo, ponto que consta como uma das possíveis medidas para a sua recuperação. "A OSX poderá promover a alienação de bens que integram seu ativo permanente, conforme autorizado expressamente pelo juízo da recuperação...", diz o documento. A avaliação do plano de recuperação será feita em assembleia de credores, sem data definida.

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