Ouro e dólar lideram investimentos em novembro

Bovespa teve a pior rentabilidade no ranking; segundo especialistas, são os reflexos das turbulências econômicas de outros países

Roberta Scrivano, do Economia & Negócios,

30 de novembro de 2011 | 19h58

Novembro foi mais um mês negativo para a Bovespa - queda de 2,51%. Ouro e dólar, porém, tiveram os melhores desempenhos do mês, com altas de 8,77% e 6,79% respectivamente. Agora, portanto, em sete dos 11 meses do ano a Bovespa teve a pior rentabilidade no ranking dos investimentos. O ouro, por sua vez, ficou na liderança da listagem em seis dos 11 meses de 2011.

Especialistas dão a mesma explicação quando são questionados sobre a composição da listagem das rentabilidades: são os reflexos das turbulências econômicas de outros países.

Em tempos de crise, como o atual, investidores fogem de aplicações de risco. A saída em massa derruba a Bolsa. Simultaneamente, os investidores buscam aplicações seguras, como é o caso do ouro, um metal precioso e palpável, puxando as cotações para cima.  

Há ainda a valorização do dólar. Só no mês passado a moeda americana ganhou 6,79%. No ano, o dólar soma alta de 8,71%. "A situação europeia deixa os mercados nervosos e voláteis. Desse modo, o dólar se valoriza frente às principais moedas e as bolsas, ao redor do mundo, caem", frisa Fábio Colombo, administrador de investimentos.

Essas três opções de investimentos, portanto, têm a maior parte das suas rentabilidades dependentes do mercado externo, explica Fábio Gallo, professor de Finanças da Pontifícia Universidade Católica e da Fundação Getúlio Vargas (PUC e FGV).

Especialistas no mercado acionário comentam, porém, que dezembro é um mês tradicionalmente positivo para a Bolsa. "Este tem sido um ano atípico. Mas, se a sazonalidade vista na última década ocorrer, dezembro poderá vir com um leve recuperação", diz Leandro Ruschel, sócio da Leandro&Stormer, Para Ruschel, a Bovespa só vai experimentar tempos de fato mais positivos no fim de 2012.

A forte queda nas cotações, no entanto, podem configurar boas oportunidades de compras de papéis. "Pode ser uma boa estratégia começar a comprar papéis que estão baratos neste momento. E, então, esperar essa provável recuperação em 2012", avalia Rossano Oltramari, analista-chefe da XP Investimentos.

Renda fixa. As outras modalidades, que são integrantes da renda fixa - como é o caso dos fundos DI, os de renda fixa, a caderneta de poupança e os CDBs -, têm os seus resultados mais relacionados com o desempenho do mercado interno.

Em novembro, todas as opções de aplicações da renda fixa tiveram rentabilidade maior que a inflação medida pelo IGP-M (0,50%).

No ano, os fundos de renda fixa estão na segunda posição da listagem, com alta de 8,88%, perdendo apenas para o ouro (24,02%). Em novembro, esses fundos ganharam 0,75% - terceiro melhor desempenho na listagem mensal.

Os fundos DI, levando em conta o período iniciado em janeiro, já ganharam 8,38%. Os CDBs com aplicações mais altas que R$ 100 mil renderam, também desde o início do ano, 8,31%. A caderneta de poupança soma ganhos de 6,86% em 2011.

Desempenhos tão positivos assim, no entanto, não devem se repetir no próximo ano, segundo especialistas em finanças pessoais. Isso porque a perspectiva para a taxa básica de juros (Selic) é de queda até, pelo menos, o fim de 2012.

Como a Selic é um dos componentes de mais peso na expressão que calcula a rentabilidade da renda fixa, se há tendência de queda no juro, os ganhos nas aplicações acompanham o recuo.

 

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